Luiz Antônio Prósperi – 16 outubro (10h09)
Seleção Brasileira vence Peru por 4 a 0 e se acalma. Diminui a tensão. A vitória contra um dos mais fracos times das Eliminatórias da Copa 2026 cabe bem no discurso do técnico Dorival Junior e, ao mesmo tempo, atende ao projeto político de Ednaldo Rodrigues de permanecer no comando da CBF.
Antes de entrar na pajelança da CBF com cartolas de federações estaduais, presidentes de clubes, governador do Distrito Federal e ex-jogadores campeões do mundo, manda o manual falar da Seleção Brasileira.
Vencer o Peru, diriam os incautos, era obrigação. Antes do jogo contra o Brasil, o adversário contava com apenas uma vitória em nove jogos, três empates e cinco derrotas – míseros três gols marcados e dez sofridos. Convenhamos, Dorival, não seria muito difícil atropelar os peruanos.
Dito e feito. Depois de um primeiro tempo sem boas propostas por parte do escrete, com direito a gol de pênalti convertido por Raphinha aos 37 minutos, Brasil se impôs sem sustos na segunda parte do jogo. Raphinha, em novo pênalti aos oito minutos, ampliou para 2 a 0.
E a farra se completou com dois gols – Andreas Pereira e Luiz Henrique – em apenas quatro minutos assim que os dois entraram nas vagas de Rodrygo e Savinho: 4 a 0. Fim de papo.
Analistas apontam que Raphinha agora é a nova liderança técnica da Seleção, evidente na ausência de Vini Jr e Neymar. Gerson e Bruno Guimarães assumem posto de donos do meio-campo. E Luiz Henrique tem de ser titular.
Fora isso, a goleada eleva Dorival Junior e seu discurso de que a mídia e críticos “pisam no produto que vendemos lá fora”. Produto?
Seleção Brasileira padrão cinco estrelas tem sido uma miragem de uma galáxia muito, muito distante.
A culpa de processos malconduzidos no escrete nunca cabe à CBF. Dorival Junior não aponta o dedo a seu patrão.
Vamos lá. Ricardo Teixeira (presidente da CBF de 1989 a 2012), José Maria Marin (2012 a 2015), Marco Polo Del Nero (2015 a 2018), Rogerio Caboclo (2018 a 2021), todos eles afastados por falcatruas, corrupção e ouros malfeitos. Teixeira, Marin e Del Nero foram banidos do futebol pela Fifa.
A VEZ DE EDNALDO
Quem dá as cartas agora é Ednaldo Rodrigues, figura carimbada nos bastidores da CBF há mais de duas décadas. Ainda pendurado em uma liminar a ser julgada no Supremo Tribunal Federal, Ednaldo se sustenta na presidência da CBF – mandato até 2026.
Se o STF derrubar a liminar, Ednaldo é afastado e novas eleições na CBF serão convocadas.
Ednaldo é candidato. Precisa de maioria dos votos do colégio eleitoral da CBF composto por presidentes das 27 federações estaduais (voto com peso 3 cada um) e 20 clubes da Série A (voto peso 2) e 20 da Série B (voto peso 1).
Numa conta simples, as federações somam 81 votos e os clubes da A e B, 60 votos.
Para vencer as eleições, basta o candidato ter a maioria dos votos das federações.
Por isso, os presidentes da CBF, desde os tempos de Ricardo Teixeira, abastecem as federações com mesadas – por volta de R$ 100 mil a cada uma – e milhões de reais de fundos em investimentos no desenvolvimento do futebol.

Sendo assim, não foi surpresa nenhuma a CBF bancar a presença dos 27 presidentes (com direito a um acompanhante), presidentes de clubes e alguns ex-jogadores campeões do mundo na Copa 2002, no jogo Brasil x Peru em Brasília na terça-feira (15/10). Tudo pago. Viagem, hospedagem…
Pajelança começou na segunda-feira com direito a coquetéis e recepção do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) e outros agrados de Ednaldo Rodrigues.
Banquete servido em busca de votos, caso necessário, com direito a saborear o Peru assado por 4 a 0 no estádio Mané Garrincha.
E La Nave Va.





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