Luiz Antônio Prósperi – 14 junho (10h05) –
Abel Ferreira anda entusiasmado em Greensboro, Carolina do Norte, EUA. Há cinco dias transborda sua euforia nos ajustes finais do Palmeiras a estrear no Mundial de Clubes contra o Porto, neste domingo (15/6), em New Jersey. Tempo de mostrar à comunidade do futebol internacional sua ambiciosa revolução no comando de um time centenário, de origem italiana, fincado nos trópicos. Sim, é possível fazer futebol europeu no país pentacampeão do mundo.
Desde seu desembarque no Brasil, em meados de outubro de 2020, tem feito de tudo em defesa de sua tese de futebol total em um clube acadêmico por sua história.
Arrebata principais títulos nacionais e continentais, publica um livro – fato raro entre os treinadores brasileiros – contando em minúcias o trabalho que levou o Palmeiras aos títulos da Copa do Brasil e Libertadores em 2020. E mais: sua visão crítica do modo de se fazer futebol no país.
Aperta o dedo nas feridas crônicas do futebol nacional. Esconjura o poder da bola. Compra brigas homéricas com jornalistas, abre processos contra alguns deles, sofre derrotas humilhantes nos tribunais.
Não se entrega vociferando contra o sistema arcaico do nosso futebol. Exagera e extrapola comportamento à beira do campo. É condenado, excomungado por analistas de plantão.
Percebe, cada vez mais, que sua pretensão é inglória. Nem paladino nem vilão.
Faz do Palmeiras ao longo dos últimos quatro anos um papa-títulos. Coleciona mais vitórias a derrotas.
Respeita pouco as hierarquias futebolísticas de seu próprio clube. Se incomoda quase nada se entre os 11 titulares de seu time, cinco a seis, às vezes sete, são estrangeiros.
Adota os meninos da base, os miúdos, como alunos de sua escolinha primária. E ajuda a sociedade Palestra Itália a abarrotar os cofres com centenas de milhões de euros.
Convicto, acredita estar sempre no caminho certo, mesmo tendo estradas tortuosas pela frente. Equívocos inevitáveis e ar rarefeito de um técnico acima da média.
Abel Ferreira, enfim, tem agora neste Mundial de Clubes a chance de mostrar a seus conterrâneos e comunidade europeia que existe no Brasil um time brasa-euro. Fruto de um trabalho no campo escorado em orçamento e gestão de primeiro mundo.
Suficiente para levantar a taça? Difícil, muito difícil. Quase impossível.
O técnico português quer apenas abrir as cortinas do mundo e exibir seu Palmeiras, “a sua mais completa tradução”.






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