Luiz Antônio Prósperi – 23 março 2026 – (17h30) –
Brasileirão 2026 entra em recesso na chamada Data-Fifa (de 23 a 31 de março). Tempo que os clubes terão para reorganizar a casa ou, aos mais bem credenciados, lustrar os móveis. Até aqui foram disputadas oito rodadas. Palmeiras lidera com 19 pontos e o Cruzeiro carrega a lanterna com quatro pontos e nenhuma vitória. Curiosidade, aliás, nem tanto assim, em oito rodadas tivemos oito trocas de treinadores. E com gente graúda perdendo emprego. Casos de Tite e Fernando Diniz, os dois de recentes passagens pela Seleção Brasileira, e até Filipe Luiz, ungido em 2025 como o melhor dos melhores cotado a comandar o escrete nacional. Quem diria. E que Dorival Junior respire fundo no imprevisível Corinthians. Dos 20 clubes dessa Série A, Botafogo ainda não tem um novo treinador após despachar o argentino Martin Anselmi, o breve.
Entre os que chegaram agora, Roger Machado vivia euforia de emplacar seus métodos no depauperado modelo de gestão do São Paulo. Duas vitórias e duas derrotas depois, flechas apontam a seu peito até por, digamos, problemas de comunicação. Hoje em dia, mais que reorganizar os times dentro de campo, é preciso ser claro em suas mensagens, exigem os críticos e sabichões do futebol.
Acompanhe a explicação de Roger Machado a respeito do início da jogada que deu origem ao gol de Arias na vitória (1 a 0) do Palmeiras contra o São Paulo, sábado (21/3):
“Nossa subida de pressão obedeceu a regra do gatilho da bola rodada pra trás, mas teve pouca pressão e a bola inverteu de corredor. Foi um gatilho de pressão de bola pra trás, a pressão vazou.”
Qual o problema de comunicação? Nenhum. Roger tem todo direito de se expressar como lhe convém. Quem não entendeu a sua fala que procure quem possa traduzir ao pé da letra.
A encrenca de Roger nem são suas falas e sim fazer o São Paulo jogar bola diante da carestia de bons jogadores e da retaguarda de gestão mais profissional.
Conta a história que o torcedor de futebol é, antes de tudo, um descontente. Seja nas vitórias de saciar o ego às injustas ou merecidas derrotas de seu time.
Veja o caso do Pedrinho Lourenço, milionário, dono e mentor do Cruzeiro. Foi visto às lágrimas nos camarotes do Mineirão após empate sem gols com o Santos, domingo (22/3). Seu time é o último colocado do Brasileirão. Gastou os tufos com Gerson importando o craque do Zenit (Rússia) e jogou suas fichas em Tite, entendendo que o treinador havia ressurgido das cinzas depois de dois colossais fracassos nas Copas do Mundo de 2018 e 2022.
Tite já foi demitido e Gerson continua perambulando qual um sonâmbulo perdido na noite.
Pedrinho enxuga as lágrimas e espera alforria com a chegada do técnico português Artur Jorge, campeão da Libertadores e do Brasileirão com o Botafogo do americano John Textor em 2024.
Que Pedrinho e Roger Machado tenham dias de paz nessa Data-Fifa. Às vezes, o futebol é ingrato mesmo.
Técnicos no Brasileirão 2026 *
brasileiros: 12
estrangeiros: 7
Portugal
atuando – Abel Ferreira (Palmeiras), Artur Jorge (Cruzeiro), Luiz Castro (Grêmio) e Leonardo Jardim (Flamengo)
demitidos – nenhum
Argentina
atuando – Luís Zubeldia (Fluminense) e Eduardo Domínguez (Atlético-MG)
demitidos – Jorge Sampaoli (Atlético-MG), Hernán Crespo (São Paulo), Juan Vojvoda (Santos) e Martin Anselmi (Botafogo)
Uruguai
atuando – Paulo Pezzolano (Internacional)
demitidos – nenhum
Colômbia
atuando – nenhum
demitido – Juan Carlos Osório (Remo)
Brasil
atuando – Dorival Junior (Corinthians), Roger Machado (São Paulo), Cuca (Santos), Vagner Mancini (Bragantino), Rafael Guanaes (Mirassol), Renato Gaúcho (Vasco), Odair Hellmann (Athletico-PR), Fernando Seabra (Coritiba), Gilmar Dal Pozzo (Chapecoense), Rogerio Ceni (Bahia), Jair Ventura (Vitória) e Léo Condé (Remo).
demitidos – Tite (Cruzeiro), Filipe Luis (Flamengo), Fernando Diniz (Vasco)
* sem técnico – Botafogo – demitiu argentino Martin Anselmi no sábado (21/3) e até segunda-feira (23/3) não havia contratado outro treinador.




Deixe um comentário