Luiz Antônio Prósperi – 4 abril 2026 (13h05) –
Belchior cantou que “o passado é uma roupa que não nos serve mais” na sua canção ‘Velha Roupa Colorida’ do álbum ‘Alucinação’ gravado em 1976. Naquela época, éramos tricampeões do mundo, ainda inebriados com a conquista no México em 1970 e frustrados com a derrota para a Laranja Mecânica holandesa nas semifinais em 1974. Acalentávamos o sonho do Tetra imediato em 1978 na Copa da Argentina disputada sob império da ditadura militar portenha. Tínhamos jogadores de talento diante da empreitada. Nos frustramos por incompetência de uma comissão técnica militarizada na Seleção Brasileira. Apenas em 1994 voltamos a levantar a taça de campeão do mundo, guardada a distância de 24 anos de jejum, ainda com resquícios dos comandantes de 1970 capitaneados por Carlos Alberto Parreira e o patriota Zagallo. Chegamos ao Penta em 2002 com o país arejado e o escrete sob batuta de Luiz Felipe Scolari. E continuamos a pelejar mais 24 anos em busca do tal Hexa. Temos a oportunidade de chegar lá. Mas o caminho agora é outro.
O passado é sim uma roupa que não nos serve mais, como diria Belchior. Nossa comissão técnica da Seleção Brasileira é inteirinha formada nos padrões europeus de ver e viver o futebol. Nosso capo do escrete é italiano, o nono Carlo Ancelotti. A maioria esmagadora de nossos jogadores da Seleção fez o pré-primário no futebol no Brasil e se formou na universidade europeia da bola. A identidade deles, o RG, tem registro do Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Arsenal, Liverpool, Paris Saint-Germain entre outros.
Nossa Seleção não é mais brasileira.
E isso também não tem a menor importância. Futebol globalizado de hoje impõe seu preço e sua lei. Maioria das seleções nacionais também tem lá seus estrangeirismos. O torcedor que não se acostumar com essa verdade, melhor fechar os olhos à Copa do Mundo 2026. Melhor divertir-se em outro parque, esquecer do futebol.
Se somos mais europeus a brasileiros, não podemos mais viver do passado. E o símbolo desse passado é Neymar. Desde 2023, quando troca Paris Saint-Germain por Al-Hilal da Arábia Saudita, o craque não joga mais na Europa. Desde o início de 2025 empresta sua decadência física e técnica ao Santos Futebol Clube.
Neymar não entende e faz questão de não entender que a Seleção Brasileira é comandada por europeus. A cadeira cativa nem existe mais. Tem à disposição apenas um modesto banquinho.
Nem adianta por nas ruas, via redes sociais, seu enorme exército de 300 milhões de seguidores mundo afora no pleito por uma vaga no escrete que vai disputar a Copa do Mundo.
Se for de sua vontade, e luta, por um lugar ao céu na Copa vestindo a camisa amarela, Neymar, urgente, precisa tirar aquela velha roupa do passado que não lhe serve mais.
“No presente, a mente, o corpo é diferente”, como diria Belchior.




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