Luiz Antônio Prósperi – 8 abril 2026 (11h49) –
Corinthians deve na praça algo perto de R$ 2,7 bilhões, incluindo o estádio erguido em 2014. Ao ídolo holandês, Memphis Depay, o papagaio a ser quitado é de R$ 42 milhões. Aliás, Memphis tem dado as cartas no futebol do chamado Timão. Indica jogadores, alguns seus parceiros, a serem contratados, escolhe jogos a disputar. É quase um poder paralelo dentro do time, informa a mídia mais afinada a cobrir o dia a dia do Corinthians. O time está à beira da zona de rebaixamento no Brasileirão – dez pontos somados (16.º colocado) em 30 pontos disputados. Estreia quinta-feira (09/4) na Libertadores contra o Platense em Vicente López, Província de Buenos Aires, Argentina. Na madrugada de segunda-feira (06/4), o clube troca Dorival Junior por Fernando Diniz e anuncia uma nova era.
Dia seguinte à mudança de treinador, o alto colegiado da torcida organizada Gaviões da Fiel, incluindo seu presidente e vice, ameaça os jogadores na entrada do Centro de Treinamentos Joaquim Grava. Dedo em riste: “Qualé, Mano. Você tem família. Já trocou de treinador. Agora é com vocês, Mano. Você tem família”. Recado mais implícito impossível. O bordão: “Se não for por amor vai no terror”.
Assustados diante dessas violentas ameaças verbais, jogadores foram dar boas-vindas a Fernando Diniz.
“Tenham sabedoria para entender esse momento do Corinthians”, disse Diniz aos atletas, em conversa reservada entre o técnico e boleiros.
“Minha presença aqui é para ajudar os jogadores a saberem a lidar com isso. Tirar o que é positivo e trazer vitórias. O que acalma isso é ganhar jogo. Temos que fazer o nossos melhor para o torcedor sorrir o quanto antes”, anuncia Diniz na entrevista coletiva de apresentação ao novo clube.
Calejado no mundo do futebol, identificado com o Corinthians, criado nas cercanias do Tatuapé onde está fincada a sede do clube, Diniz, parece, entende o que é o Corinthians.
Seu fardo é dos mais complexos. Fernando Diniz não tem medo do caos.
Que fetiche é esse do Corinthians? Atolado até o pescoço na má gestão de seus dirigentes, dívida colossal, bancando um ídolo holandês com vida de um sultão, ameaçado por uma gigantesca torcida organizada que se diz o quarto poder dentro do clube, o Corinthians contrata em menos de dois anos os dois últimos técnicos brasileiros que dirigiram a Seleção Brasileira.
E tem gente mais preocupada em analisar as mirabolantes facetas do que se convencionou chamar de Dinizismo. E se o jeito de ver o futebol de Diniz vai se encaixar ao mundo paralelo do Corinthians. Antes de tudo é preciso entender a realidade crua e cruel do clube na temporada 2026. Depois vem o Dinizismo.
Quem entende o Corinthians?
“Eu tenho a cara disso aqui (Corinthians). Por ser inquieto, ter coragem”.
Vai, Fernando. Fernando Diniz.
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