Luiz Antônio Prósperi – 31 maio 2026 (13h36) –
Não leve a sério o resultado do amistoso Brasil x Panamá neste domingo (31/5) no Maracanã. Trata-se de um jogo de despedida da Seleção Brasileira a duas semanas da estreia na Copa do Mundo 2026. Um agrado à torcida. Ingressos a R$ 50 (meia entrada) e R$ 400, o mais caro, para se ter casa cheia. Um jogo afeito a aplausos e manifestações de apoio ao escrete. Ambiente nada hostil. E o recado claro: embarque feliz, Seleção Brasileira. Estaremos aqui torcendo por vocês. Que tragam o Hexa.
Difícil encontrar na história da Seleção nas Copas do Mundo uma despedida do país sem pressão, sem cobranças, sem descrédito. Não há tensão no ar.
A maioria de nossos jogadores selecionados por Carlo Ancelotti é passível. Meninos bonzinhos. Carreiras marcadas por muita luta, desde a infância em rincões duros do país até o estrelato internacional. Vitoriosos em suas trajetórias no futebol. Não precisam dar satisfações a ninguém.
A sentir esses três a quatro dias de treinamentos na Granja Comary, incrustada na região serrana do Rio, se percebe o quanto nossos atletas estão leves.
Não fosse o episódio Neymar, garantiria que esta Seleção Brasileira é a mais anódina das últimas Copas do Mundo.
Não se preocupe com os 24 anos sem o Brasil conquistar uma Copa do Mundo. Essa tonelada não pesa nem é jogada nas costas dessa atual Seleção.
Difícil encontrar um jogador preocupado com tamanha carestia.
Carlo Ancelotti, o Carletto, nem sabe o que é isso. Não tem a menor ideia de como seus antecessores sofreram à beça às vésperas das Copas submetidos à pressão enorme, cobranças absurdas e exposição ao ridículo.
Carlos Alberto Parreira que o diga. Sofreu horrores na Copa de 1994 nos Estados Unidos, tempo em que o Brasil não conquistava uma Copa havia 24 anos. Podemos falar de Sebastião Lazaroni na Copa 90. Felipão em 2002. Dunga em 2010.
Nesse ciclo atual de 24 anos sem Copa, apenas Tite bebeu água fresca em 2018 e 2022.
Ancelotti ainda nem fez valer de seu instinto de italiano a enrubescer e gritar quando contrariado por suas atitudes. Atua como um verdadeiro nono bonachão da Itália. Transborda felicidade. O mais perto de um desconforto é o erguer da sobrancelha esquerda.

Então, felizes da vida, confiantes, nossos rapazes e Ancelotti, seu comissariado e toda casta de poder da CBF embarcam aos Estados Unidos rumo ao Hexa nesta segunda-feira (01/6). E com Neymar na bagagem.
Aliás, não fosse Neymar, nem teríamos a infantil guerrinha na mídia, nas redes sociais e influencers entre os contra e a favor do craque ser convocado. Todos eles foram salvos pela polêmica Neymar. Nem foi preciso Donald Trump interferir.
Ah, como faz falta uma boa conversa de botequim raiz a embalar nosso escrete nessa Copa do Mundo 2026 nos Estados Unidos.
E assim, vamos nós. Bate no peito, Brasil.
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