Luiz Antônio Prósperi, de Morristown, 15 junho 2026 (19h32)
Neymar passa por nova ressonância magnética e não treina. Calendário aponta 28 dias sem ir ao campo nesta segunda-feira (15/6). E levanta novas suspeitas do antigo futuro do craque na Copa do Mundo.
Se esperava por sua presença, pelo menos no banco, contra o Haiti, sexta-feira (19/6), na Philadelphia, partida decisiva para o destino do Brasil na Copa. Nos bastidores do escrete, a situação ainda permanece indefinida.
Não se tem notícia de quando Neymar voltará.
Como a CBF concede apenas 15 minutos à imprensa em geral no acompanhamento dos treinamentos do escrete, as nuvens de incertezas se avolumam.
Sem Neymar e com pouco tempo de acesso ao trabalho dos jogadores e do chefe Carlo Ancelotti, tudo vira um exercício de adivinhação.
Chega a ser bizarro observar a correria de jornalistas, influencers, fotógrafos, cinegrafistas e que tais em busca de migalhas informativas e escassas imagens no treinamento da Seleção.
“Neymar não aparece de novo no campo”. “Raphinha tem bolhas nos pés”, “Gabriel Magalhães está fatigado”, “Bruno Guimarães desgastado”. Os quatro não treinam. “Ancelotti não da pistas das mudanças no time”.
“Pessoal, já deu. 15 minutos. Por favor, se retirem”, diz o funcionário da CBF pedindo a saída de toda a mídia do CT Rede Bull no Columbia Park.
Saímos dali como um bando de capivaras com equipamentos e mochilas nas costas. A caminhada dos incrédulos.
Teve um tempo em que acompanhar treinos da Seleção era sagrado. Nem vou recorrer às coberturas de outrora das últimas nove Copas.
Recorro ao escritor Rubem Fonseca. Em um conto de um livro, me perdoem, não recordo o título da obra, em que os jornalistas observam à beira do campo o treinamento da Seleção na Copa de 1970. Diz mais menos assim o texto:
“Olhe o cuspe do Gerson. Sai fino, jato forte. Um tiro. Gerson está na ponta dos cacos. Cuspe do Gerson diz tudo. Canhotinha tá muito bem. Olha o cuspe daquele outro jogador ali. Quase não sai da boca. Volumoso. Esse aí tá mal.”
Gostaria muito de ver o cuspe do Endrick no treino desta segunda-feira em Morristown. Deve ser igual ao do Gerson em 1970. Fino, jato forte, como uma bala de revólver.
Será que Ancelotti tem visto o cuspe do Endrick? Ou prefere o de Neymar?
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