Luiz Antônio Prósperi, de Houston, 29 junho 2026 (15h43)
Brasil vence Japão de virada por 2 a 1, avança às oitavas de final da Copa 2026 e leva algumas lições para o próximo compromisso contra Costa do Marfim ou Noruega. Vitória com alguns argumentos de Carlo Ancelotti ao pedir mente forte e coração quente aos jogadores. Vitória também daqueles jogadores desprezados por boa parte da torcida e mídia. Casemiro e Gabriel Martinelli entram naquele meme das redes sociais: “nunca critiquei”.
Ancelotti acerta ao insistir no tema psicológico de não se afobar, não deixar a bola queimar nos pés, muito menos jogar a esmo, sem um norte definido.
Brasil teve paciência para girar o jogo de um lado a outro, às vezes irritante aos torcedores, até causar fissuras na marcação japonesa concentrada entre a grande área e zona intermediária. Aquele tipo de ferrolho que os analistas modernosos dizem ser “bloco baixo’.
Não estava fácil superar essa barreira, ainda mais quando Danilo erra o passe e o Japão sai na frente – gol de Sano, aos 29 minutos do primeiro tempo.
Gol abala a confiança dos brasileiros, mas não corrói a mente. Mesmo sem muita inspiração escrete continua a girar a bola e volta a respirar no segundo tempo quando Gabriel Magalhães serve Casemiro com talheres finos. Casemiro, o escorraçado, vence de cabeça o grandalhão goleiro Zion Suzuki e decreta o empate – aos 11 minutos do segundo tempo.
Gol de renascimento de Casemiro areja a mente de nossos jogadores mais criativos. Vini por pouco não faz o golaço da Copa 2026 com direito a bola debaixo das penas do marcador, três dribles jogando a zaga quase ao chão e o chute de trivela que choca de forma caprichosa na trave. Suzuki salva com as unhas.
Animado por Vini, investidas de Endrick e Rayan, Brasil assume controle do jogo. Aí Ancelotti confirma sua estrela. Martinelli entra no lugar de Cunha. Torcida se irrita. Queria Neymar. Esgoela contra Martinelli.
No último minuto dos acréscimos, Bruno Guimarães acha Martinelli quase na pequena área. Frio, Martinelli tira do goleiro grandão. Brasil 2 a 1. Brasil nas oitavas de final.
Por pouco, muito pouco, não ouvimos a famosa frase do astronauta: “Houston, temos um problema”. Escrete se manteve com o pensamento na Terra, nada lunática. E sai da cidade da NASA classificado às oitavas. Com dois heróis nada espacial, apenas inesperados. Casemiro e Gabriel Martinelli
Daqui para frente mais do que nunca é preciso ter mente forte, coração quente e ideias claras. Sem sofrimento, por favor, pede a torcida verde amarela.
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