Entenda como a Uefa pode derrubar Infantino da Fifa após fracasso na privatização da Copa

Luiz Antônio Prósperi – 1 agosto 2026 (10h30)

Uefa (União Europeia de Futebol) sai fortalecida com a desistência de Gianni Infantino, presidente da Fifa, de privatizar a Copa do Mundo. Ao propor boicote à todas competições Fifa, incluindo a Copa, diante da farra de grana no plano de Infantino, os europeus conquistaram aliados importantes como a Concacaf (América Central, Norte e Caribe) e ACF (Ásia). E já projetam tirar Infantino do poder. As eleições da Fifa estão marcadas para março de 2027 no Marrocos. Das 211 confederações nacionais com direito a voto, a Uefa tem 55; Concacaf, 41; e AFC, 47 – 143 possíveis votos contra Infantino, portanto maioria no colégio eleitoral Fifa. 

Você tem alguma dúvida de que a Uefa e seus aliados vão lançar um candidato contra Infantino?

Acompanhe comunicado oficial da Uefa divulgado na manhã deste sábado (01/8) comemorando o fracasso do plano de Infantino em privatizar a Copa:

A UEFA congratula-se com a decisão da FIFA de retirar o seu plano de vender uma participação nas suas competições — incluindo o Campeonato do Mundo — a entidades privadas.

A proposta foi rejeitada por unanimidade pelas federações nacionais da UEFA e por muitas outras federações e confederações de todas as dimensões em todo o mundo, cuja missão é proteger o futebol.

A UEFA agradece a todos os adeptos, ligas, clubes, jogadores, indivíduos, federações e confederações que se opuseram a este esquema, bem como aos muitos primeiro-ministros, chefes de Estado e comentadores que demonstraram ao presidente da FIFA que o futebol não está à venda.

Não podemos continuar assim, com esquemas secretos levados a cabo a um ritmo acelerado, arquitetados por indivíduos anónimos e cujos benefícios para o desporto são duvidosos. Temos de identificar os responsáveis e exigir que prestem contas.

É correto que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com as suas federações e em estreita cooperação com outras confederações para reflectir sobre como isto aconteceu e elaborar um plano que garanta que tal não volte a ocorrer. Essa análise deve ser exaustiva e profunda. Nenhuma opção deve ser excluída. A atual direção da FIFA não só perdeu a confiança da UEFA, como também a de muitos outros membros da família do futebol.

Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das federações-membro da FIFA para ser eleito seu presidente em 2016, afirmou: “É claro que temos de ser transparentes. Fui assim nos últimos 15 anos da minha vida na UEFA. Vocês terão de desempenhar um papel diário na vida da FIFA”, antes de dizer às partes interessadas reunidas na ocasião: “O dinheiro da FIFA é o vosso dinheiro. Não é o dinheiro do Presidente da FIFA. É o vosso dinheiro. Vocês são as federações nacionais e o dinheiro da FIFA tem de servir para o desenvolvimento do futebol e não para mais nada.”

Em relação a ambas as promessas, ele não cumpriu o que prometeu. O acordo mesquinho, feito nos bastidores e opaco que ele arquitectou e tentou impor estava longe de ser transparente.

E com reservas que ascendem a mais de 5 bilhões de dólares, também falhou em utilizar o dinheiro das federações em benefício do desporto.

A UEFA começará a trabalhar imediatamente com os seus parceiros e partes interessadas em todo o mundo e em todos os setores do futebol para propor uma nova forma de distribuir recursos através do programa FIFA Forward já existente.

Temos de começar a utilizar parte desse dinheiro que está parado na conta bancária da FIFA para dar o impulso inicial de que as bases do futebol e o futebol em geral necessitam em cada um dos 211 países da FIFA. Mas não precisamos de vender os bens mais valiosos da família para pagar isso.

Esta é uma vitória para todo o mundo do futebol. Mas não pode ser o fim da história. A proposta já foi apresentada. A tarefa de restabelecer a confiança na FIFA mal começou.


O que diz o jornal The Guardian:

A UEFA alertou Gianni Infantino de que seu estilo de liderança não pode continuar, exigindo uma revisão completa e fundamental da governança da FIFA.

Em uma declaração contundente que se referia a “esquemas secretos”, “acordos obscuros nos bastidores” e “indivíduos sem rosto”, a liderança da UEFA deixou claro que deseja mudanças na cúpula da FIFA, apesar da repentina mudança de posição da entidade máxima do futebol mundial ao abandonar o plano de Infantino de vender participações na Copa do Mundo e em outras competições.

Embora não tenha chegado a pedir a renúncia de Infantino, a direção da UEFA está determinada a impedir que ele sobreviva a uma crise criada por ele mesmo, uma opinião compartilhada por muitas das maiores entidades que regem o futebol mundial. Dirigentes europeus já teriam iniciado o processo de identificação de um candidato para concorrer contra Infantino na eleição presidencial da FIFA do ano que vem , processo que deve prosseguir nos próximos dias.

A declaração da UEFA deixou claro que, sob a liderança do presidente Aleksander Ceferin, que conseguiu o apoio de todas as 55 associações membro ao boicote da Copa do Mundo na última quinta-feira, a entidade continuará a pressionar por mudanças.


O que diz New York Times:

Em que situação Infantino se encontra agora?

Análise de Adam Crafton

Esta semana foi uma experiência humilhante para Infantino. Ele começou a semana como presidente da FIFA, responsável pela receita de US$ 15 bilhões da Copa do Mundo masculina deste ano, e muitos no mundo do futebol já davam como certa a sua reeleição na próxima primavera. Diversas federações chegaram a enviar cartas manifestando apoio a ele.

Ver Infantino ser publicamente repreendido por diversas confederações importantes representou um desenvolvimento devastador e surpreendente. A ameaça de boicote da UEFA teve peso, mas, com a adesão da Concacaf e da AFC, Infantino ficou vulnerável a ser voto vencido.

Então, sua própria equipe se voltou contra ele, primeiro Cordeiro, depois Lamour. Uma batalha de ideias se transformou em uma batalha para salvar seu emprego. Infantino priorizou esta última, mas os abutres agora estão à espreita, e ele pode enfrentar adversários nas eleições de 2027.

As indicações devem ser feitas até novembro. Prepare-se para uma disputa acirrada.


O que diz Martyn Ziegler, jornalista do The Times (Londres), que revelou o plano secreto de Infantino em privatizar a Copa do Mundo:

Ouça o podcast (áudio em inglês): https://www.thetimes.com/podcasts/the-game


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