Fórmula multicultural da bola entrega à Fiel o que ela mais espera do Corinthians: força, disposição e refinamento técnico quando necessário

Abel Ferreira ainda não dá mostras de que a máquina vai luzir. Já começa a perder força na própria torcida do Palmeiras


Luiz Antônio Prósperi – 28 março (09h31) – atualizado 3 abril

Corinthians campeão paulista 2025. Já se sabia o fim dessa história desde a vitória (1 a 0) no jogo de ida contra o Palmeiras no Allianz Parque, há dez dias. Empate sem gols no jogo da volta na Neo Química Arena, nesta quinta-feira (27/3), era até previsível. Estamos falando de dois times em situações bem opostas. E aqui vamos recordar um lema do veterano treinador Paulo Autuori. Ele dizia assim: “Prefiro um time de tigres famintos a outro de jiboias saciadas”.

A preferência de Autuori cabe bem para contar o que Corinthians e Palmeiras mostraram na final do Paulistão.

De um lado, os tigres famintos alvinegros. De outro as jiboias saciadas alviverdes. Um jogou para ser campeão, decidindo cada lance como se fosse o último de sua vida.

Outro, enfastiado, com a sacola cheia de taças nos últimos dez anos, jogou como se a final de campeonato fosse mais um jogo comum, um reles cumprimento de tabela.

Nem aquela doutrina de Abel Ferreira – perseverança e entrega total até o último momento – esteve presente na decisão do Paulistão.

E não foi só isso. É preciso ver e ressaltar as valências do Corinthians.

E a força desse time campeão vem de um meio-campo robusto. Marcador e disposto a roer até a última migalha do osso. Três volantes a cumprir suas funções com aplicação extrema e dois meias de fino trato.

Uma química perfeita entre o brasileiro Raniele, o venezuelano Martinez e o peruano Carillo. Suando as camisas a favor do argentino Garro e do holandês Memphis.

Esse fórmula multicultural da bola entregou à Fiel o que ela mais espera: força, disposição e refinamento técnico quando necessário.

A condenar, com toda indignidade, o antijogo praticado pelo Corinthians desde o apito inicial. Atitude corroborada pelas torcidas organizadas com sinalizadores e fogos de artifícios atirados em direção aos jogadores no campo.

Um absurdo. Em 112 minutos de jogo, a bola rolou em apenas 48 minutos.

Pois bem, desses cinco vive o Corinthians de hoje. Eles destroçaram as jiboias de Abel.

Estevão some na final do Paulistão – foto: Palmeiras oficial

E todo campeão que se preze, há sempre a destacar aqueles heróis de que também o futebol nutre para escrever sua história. Estamos falando do goleiro Hugo Souza e do centroavante Yuri Alberto.

Hugo defende pênalti batido por Raphael Veiga, até então um especialista das cobranças, no momento decisivo da partida. Yuri faz o gol na casa inimiga no jogo de ida. Dois personagens fundamentais na conquista da taça.

Detalhe: o clássico (?) maltratou a bola como nunca. Jogo não fluiu. Bombas caíram no gramado e rusgas inúteis dos jogadores de lado a lado.

No fim das contas, o Corinthians, com time arrumado desde o fim da temporada passada pela família argentina Diaz (Ramon e o filho Emiliano), pode pensar alto.

Palmeiras, em processo de reestruturação com a saída em debandada de jogadores importantes e a chegada de gente cara no mercado, precisa acelerar as obras.

Abel Ferreira ainda não dá mostras de que a máquina vai luzir. Já começa a perder força na própria torcida. Injustos ou não, os frequentadores das arquibancadas sempre querem mais.

Aquele time altivo, dono de si e que aterrorizava os adversários, deu um passo atrás. É preciso andar para frente.

Corinthians já caminha passos largos na dianteira.

No futebol é preciso sobreviver sempre e não deitar na rede esplêndida com as mãos atrás da cabeça a contemplar o infinito de suas glórias.


Maiores campeões paulistas na história

Corinthians 31
Palmeiras 26
São Paulo e Santos 22


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