Luiz Antônio Prósperi – 17 maio 2026 (15h07) –

Neymar, pouco antes das 11h deste domingo 17 de maio, no estádio do Corinthians em Itaquera. No colo, sua filha Mel, dois aninhos. Neymar chora no ato do Hino Nacional. Um prenúncio de seu estado emocional na véspera da convocação definitiva de Carlo Ancelotti para a Copa 2026. Bola em jogo, algumas jogadas de efeito, bons passes, quase faz um gol de cabeça. Do outro lado, a atormentar a ansiedade do craque, o Coritiba enfileira um, dois e três gols ainda no primeiro tempo. Manhã e início de tarde nada favoráveis ao jogador mais comentado e discutido nos últimos três meses no futebol brasileiro. Um roteiro tragicômico se não fosse sério o que viria acontecer no segundo tempo.

Logo no começo dessa segunda parte do jogo, zagueiro Lucas Peres leva uma bolada na cabeça. Cai desacordado. Ambulância em campo. E o jogador se levanta ainda zonzo. É  consolado por Neymar e depois retirado da arena.

Aos 18 minutos, Neymar sente dores na panturrilha direita. Vai até a beira do campo em busca de atendimento médico. Arria o meião e recebe massagens do massagista do Santos com a supervisão do médico do clube. Aos 19 minutos, sobe a placa de substituição. Sairia o lateral Escobar, número 31 na camisa, e entraria o menino Robinho Jr, camisa 7. Placa acesa e aparece o número 10 de Neymar a ser substituído pelo número 7. Robinho entra. Escobar não sai. Neymar é substituído por grave e cômico erro do colegiado de arbitragem.

Desesperado, Neymar retira das mãos de um assessor de arbitragem a papeleta com os números de quem seria substituído e de quem entraria em campo. Estava escrito: sai o 31 e entra o 7. Não, o 10 de Neymar não estava no papel. Neymar se exaspera. Acusa a barbeiragem da arbitragem. Nada feito. O jogo se reinicia com Neymar fora de campo. Inconsolado no banco ao lado dos reservas, recebe cuidados médicos na panturrilha.

Ao apito final do juiz,  Santos 0 x 3 Coritiba. Neymar mergulha nos vestiários sem esconder o tamanho de sua revolta e indignação.

O dia 17 de maio de 2026, a benção final de sua convocação para Copa, vira um pesadelo.

A última dança de Neymar antes da Copa escancara a tragédia do futebol brasileiro. Um craque em busca de provas de vida no futebol. Uma lambança da arbitragem. O desapontamento de mais de 40 mil torcedores do Santos na arena corintiana.

Aliás, foi nessa mesma arena que Neymar estreou na Seleção Brasileira em um jogo de Copa do Mundo. No dia 12 de junho de 2014, o Brasil vence a Croácia por 3 a 1 – dois gols de Neymar e um de Oscar.

Era o começo de um sonho de Neymar na história das Copas do Mundo. A epopéia, a longa travessia de 12 anos, pode se acabar nesta segunda-feira (18/5) se seu nome não aparecer na lista dos 26 convocados por Ancelotti.

Vamos ficar de olho na panturrilha de Neymar.

“Fisicamente, me sinto muito bem. Venho melhorando a cada jogo, fiz o máximo que pude, não foi fácil. Confesso que não foi fácil. Foram anos de muito trabalho, também de muita falação errada sobre minhas condições e o que eu fazia. É muito triste a forma como a galera fala sobre isso. Trabalhei firme, quieto, em casa, sofrendo pelo o que as pessoas falavam e deu tudo certo. Cheguei inteiro até onde eu queria, fico feliz pelo meu rendimento, por tudo o que fiz até agora. Que amanhã seja o Deus quiser. Independente do que for acontecer, com certeza o Ancelotti convocará os 26 melhores para essa guerra” – Neymar, 17/5/2026.

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