Tottenham cede empate ao Chelsea e Leicester é campeão

 

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Acabou o Conto de Fadas no futebol inglês. Depois de 36 rodadas, o surpreendente Leicester conquistou nesta segunda-feira, mesmo sem entrar em campo, o título da Premier League 2015/2016. A conquista se consolidou com o empate por 2 a 2 entre Chelsea e Tottenham numa verdadeira batalha no Stamford Bridge em Londres.

O Leicester acumulou 77 pontos contra 70 do seu mais feroz perseguidor, o Tottenham, que suou sangue até o último minuto contra o Chelsea para tentar adiar o sonho dos azuis.

Antes de comentar sobre o que foi o jogo em Londres, é bom lembrar que a inédita conquista do Leicester não deixa um legado precioso ao futebol. Time pequeno, que vivia um sobe e desce no Campeonato Inglês, o campeão desta temporada só deu as caras após o aporte de um tailandês milionário, que comprou o clube há três anos.

É claro que o título ao Leicester abre caminho para novos sonhadores do futebol. No começo, parecia inacreditável, mas, depois com a regularidade do time comandado pelo italiano Claudio Ranieri, os desafios foram superados um a um até a glória definitiva como um verdadeiro conto de fadas tanto ao gosto dos ingleses.

Agora, vamos ao jogo que definiu o Campeonato Inglês as duas rodadas do fim. Aguerrido e sem respeitar os donos da casa, o Tottenham Hotspur sufocou o Chelsea no Stamford Bridge desde o início e abriu dois gols (Kane e Son) de vantagem no primeiro tempo. Não deu trégua. Se impôs com autoridade para continuar ali, nos calcanhares do Leicester.

Os “Spurs” não poderiam ceder nem mesmo o empate, resultado que daria o título ao inusitado líder da Premier League. Quando eles entraram em campo, a diferença era de 8 pontos (77 a 69). Vencendo, obrigariam o Leicester a derrotar o Everton no próximo sábado, às 13h30 (horário de Brasília), para levantar a taça.

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Por isso o  Tottenham não concedeu ao Chelsea a respiração normal. Para cada domínio de bola de um de azul sempre havia pelo menos dois de branco no encalço. Nessa pegada constante, sobraram safanões, dedos na cara, camisas esgarçadas. Tudo em nome da vitória. Um desserviço ao futebol limpo. Na Inglaterra também ainda se bate muito em busca de valiosos três pontos.

Sobrava determinação aos “Spurs” contra os empertigados jogadores do Chelsea, atônitos com a volúpia do jogo do adversário.

Aliás, cabe aqui um detalhe. Diferentemente do Leicester, time afeito à marcação, entrega e contra-ataques, o Tottenham bate mais e joga mais. Não tem um estilo refinado, de futebol limpo, mas tem o frescor da juventude, renovado que foi nesta temporada com a revolução capitaneada pelo argentino Mauricio Pochettino.

E até por ser um tanto afoito, sem acalmar a bola, prefere triturar os adversários como um rolo compressor. Às vezes paga caro por essa estratégia. Nesta segunda-feira, contra o Chelsea, tinha o controle do jogo, com dois gols no primeiro tempo, até sofrer o gol de Gary Cahill, em uma migalha de um escanteio, antes dos 20 minutos.

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O gol de Cahill provocou uma enorme euforia nas ruas e pubs de Leicester, a 350 km do Stamford Bridge. Torcedores, encharcados de cerveja, festejaram como nunca e ficaram à espera do segundo gol consagrador do Chelsea.

A sete minutos do final, o Tottenham sofreu o castigo. Hazard, que havia entrado na metade do segundo tempo, fez um gol com patente de craque. Era o gol de empate do Chelsea e o do título do Leicester, que havia empatado (1 a 1) contra o Manchester United no domingo, no Old Trafford.

Hazard e seus companheiros celebram este gol como se eles fossem os campeões, mas quem veio abaixo foi mesmo a cidade de Leicester. O empate dava o título da Premier League ao Leicester, o time do “Conto de Fadas” do Campeonato Inglês 2015/2016.

Festa no Condado de Leicester, batalha no Stamford Bridge. Mais que definir a Premier League, o clássico londrino, de muita rivalidade, extrapolava um simples jogo de futebol. O que se viu, além de grandes lances, foi muita entrega e coração.

Sem mais nada a fazer no campeonato, cabia ao Chelsea impedir o inimigo Tottenham continuar na luta pelo título a duas rodadas do final. Conseguiu, a custo de muito sacrifício diante de um adversário que deixou a grama marcada de sangue na luta que se viu inglória pela taça. Ela já tinha dono e era do pequeno grande Leicester. Inimaginável.

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