Santos volta a respirar, mesmo com Dorival Júnior sob pressão

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Santos ainda está longe do futebol empolgante e entusiasmado da temporada passada. Na sua estreia na Copa Libertadores, recuperou algumas virtudes, alguns ingredientes do repertório de 2016, mas nada assombroso. Penou no primeiro tempo, mostrou autoridade no segundo e colheu um empate (1 a 1) contra o Sporting Cristal em Lima, nesta quinta-feira (09/3). Da exibição no Peru, fica claro que, nessa toada, não vai brigar pelo título continental. Mas é um sinal de vida diante da turbulência e desconfiança que assolam o clube neste início de temporada.

O time paulista sofreu no primeiro tempo ao levar um gol em cobrança de falta da ponta esquerda, com menos de 20 minutos de jogo. Em desvantagem, não entendeu a proposta do Sporting Cristal de alongar a bola, contra-atacar nas costas de Victor Ferraz e Zeca. Não entendeu como funcionava a marcação peruana e muito menos como se virar sem ação efetiva de Lucas Lima, mentor e cérebro do time. Bem marcado, Lucas, muito perto da área inimiga e longe da zona de criação, não funcionou nem colocou a engrenagem para funcionar.

Sem ação efetiva do arquiteto do time santista, de nada adiantava abrir Vitor Bueno na direita e Copete na esquerda. A bola não chegava nos ponteiros e, por tabela, em Ricardo Oliveira, um arrasa-quarteirão quando fica frente a frente ao goleiro.

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Era um Santos sem entender a lógica dos peruanos e carente de ações mais objetivas na hora de apertar o adversário, na hora de se impor, mostrar autoridade. E olha que o técnico Dorival não tinha do que reclamar. Estava com o time completo, com a volta de Renato, Lucas Lima, Ricardo Oliveira e a zaga consolidada com David Brás e Cleber – faltava apenas o goleiro Vanderlei. Formação que não conseguiu usar nos últimos dois meses.

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No segundo tempo, o cenário mudou quando Dorival tirou o assustado Vitor Bueno e lançou o baixinho Hernadez, ligeiro como ninguém. Mais que isso, quando tirou Lucas Lima da zona de atrito, onde sofria marcação pesada, para articular com os laterais e deixar campo aberto às investidas dos volantes. Nessa primeira combinação que deu certo, Lucas Lima deixou Thiago Maia livre, leve e solto para empatar o jogo, antes dos 25 minutos.

Sporting Cristal deixaria a idade da inocência para encarar a realidade. Mais que entender a nova proposta do Santos, era o momento de se impor como dono da casa e arrumar um jeito de neutralizar Lucas Lima. Missão quase impossível diante de um adversário mais forte e com pinta de algoz quando Dorival trocou o inerte Copete por Bruno Henrique. O time ficou mais agudo e à feição de Lucas Lima.

O problema é que o Sporting Cristal queria fazer as honras da casa a todo custo. Na base de não se entregar nunca, mesmo correndo risco de levar a virada, obrigou Vladmir a alguns milagres nos minutos finais. Com essa disposição e força de vontade, afastou o Santos de seu campo e garantiu o empate. De bom para os santistas é que o time não perdeu os sinais vitais de quem encantou em 2016. Cabe ao pressionado Dorival Junior dar vida a este corpo, se é que vai ter tempo para seguir em frente.

 

(TEXTO PUBLICADO NO CHUTEIRA FC)

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