São Paulo produz jogador na base para vender e não servir ao time principal

São Paulo não conquista um título de expressão há nove anos, quando se consagrou tricampeão brasileiro com as taças de 2006, 2007 e 2008. Nesse hiato sem gritar “é campeão”, liquidou seus garotos da base sem a menor cerimônia.

Levantamento com dados extraoficiais, baseado em sites especializados em transferências de jogadores, indica que o clube paulista movimentou algo em torno de R$ 430 milhões apenas com a venda de meninos revelados nos seus canteiros de Cotia, de 2010 a junho de 2017.

Luiz Araújo, de 20 anos, é o mais novo nome desse lista desses negócios. Por cerca de R$ 38 milhões, o atacante foi vendido ao Lile, da França, nesta sexta-feira (02/6). De janeiro a até maio, o São Paulo havia vendido o atacante David Neres, 20 anos, ao Ajax, da Holanda, por R$ 50,7 milhões, o zagueiro Lyanco, 19 anos, ao Torino, da Itália, por R$ 20 milhões.

Galván, de 17 anos, foi vendido ao Real Madrid por R$ 9,6 milhões – Galván nem jogou no time de Ceni. Atacante Ewandro, com passagem relâmpago pelos profissionais, se transferiu para a Udinese por R$ 9 milhões. E o lateral-esquerdo Junior Tavares deve ser o próximo a sair.

Neres, Luiz Araújo e Lyanco são da mesma geração dos meninos de Cotia e eram esperança do clube em fortalecer o time profissional. Ao lado de Lucas Fernandes, que sofreu grave lesão ano passado, estavam cotados para abastecer o grupo de Rogerio Ceni em busca de um título importante na atual temporada. Veja a foto abaixo:

A saída dos meninos indica que o São Paulo investe pesado na base, algo perto de R$ 20 milhões por ano, mais para reforçar o caixa com as vendas do que fortalecer o time.

Segundo o clube, o CT de Cotia, instalado em uma área de 230 mil metros quadrados, abriga 240 jogadores, sendo 160 alojados, e conta com 175 funcionários. Ainda com informações do São Paulo, os times da base conquistaram 12 títulos em 2016, teve 22 jogadores convocados para as seleções da CBF e promoveu 13 garotos ao time profissional.

São números importantes e mostram que o trabalho parece bem feito. Mas não encanta os torcedores. Manifestações de são-paulinos nas redes sociais, após a confirmação da venda de Luiz Araújo, mostram muita insatisfação com os negócios.

Se boa parte dos torcedores não aprova a venda incessante de garotos, dirigentes esfregam as mãos com fluxo de caixa. Dinheiro que a atual diretoria pretende usar para sanear a dívida do clube, estimada em R$ 385 milhões.

Carlos Augusto de Barros e Silva (Leco), eleito presidente do São Paulo em abril último, prometeu aos seus eleitores que a prioridade de sua gestão era quitar a dívida, formar um time forte e brigar por títulos de relevância na temporada de 2018.

Tem sentido, o difícil é convencer torcedores de que a carestia de taças tem como contrapartida um clube sem dívidas importantes e de alto vulto.

Quem vai pagar a conta no final do ano vai ser Rogerio Ceni. De nada adianta promover garotos da base se a revoada dos meninos é constante. Não custa lembrar que a janela do mercado europeu já está aberta e só fecha no fim de agosto.

Veja as maiores vendas de garotos do São Paulo nos últimos anos, em milhões de reais:

Lucas Moura – 130 (PSG)

David Neres – 50,7 (Ajax)

Hernanes – 44,1 (Lazio)

Luiz Araújo – 38 (Lile)

Boschilia – 34,7 (Monaco)

Lyanco – 20 (Torino)

Casemiro – 19,6 (Real Madrid)

Oscar – 19,6 (Internacional)

Lucas Piazon – 16,9 (Chelsea)

(post publicado no CHUTEIRA FC – leia mais notícias e opinião de futebol)

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