Futebol não merecia a separação de Messi e Neymar

Futebol tem algo de extraordinário incapaz de ser traduzido aos que não comungam dessa paixão. Não é fácil explicar o prazer de um drible. Um gol criado do nada e inimaginável. Uma troca de olhar entre um craque e outro, antes de entregar uma obra-prima aos súditos e inquisidores das arquibancadas. Nem a manobra dos pés na hora de acarinhar a bola e a crueldade do chute com toda força ou leveza.

Futebol é mesmo uma ilusão. Às vezes, inebriante. Outras vezes, entediante. Capaz de ser dor e alegria em comunhão. Não tem meio-termo. Se gosta ou não. Se ama ou se odeia.

Quem não consegue enxergar esse filme, não vai ter prazer nunca. Nem vai se deixar convencer por essa magia. Nem levar a sério os encantadores de serpentes. Muito menos compreender a dimensão de um estádio. Aquela multidão vestida das mesmas cores em busca de um querer ser feliz.

Pois bem, nesse exato momento do dia 3 de agosto de 2017, ah! esse maldito mês de agosto, o futebol assiste à desconstrução de uma de suas fábulas. Messi e Neymar não vão mais jogar juntos pelo menos nos próximos quatro anos.

Barcelona e Paris não são apenas como duas ruas pertinho uma da outra, que, na lógica do futebol, poderiam unir seus timinhos de moleques em defesa do bairro. Impossível.

Nem mesmo numa seleção poderíamos ver os dois juntos novamente. Messi é argentino. Neymar, brasileiro. A história não permite um reencontro dessa magnitude.

Então não entre nessa lenda dos milhões de euros, dos negócios escusos, da ganância, dos interesses mercadológicos, dos desafios de cada um, de uma nova vida, da corrida por uma bola de ouro, de entrar no panteão dos melhores do mundo. Nada disso tem valor.

Quem gosta de futebol não vai aceitar nunca a separação de Messi e Neymar.

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