Tite ameaçado: bastidores da possível queda na Seleção após Copa América

Tite está garantido no comando da Seleção Brasileira até encerramento da Copa América 2019. Seu futuro, após disputa do torneio sul-americano, vai depender de uma reorganização de forças dentro da CBF. Não está descartada a renúncia de Tite ao cargo, campeão ou não com o Brasil dia 7 de julho no Maracanã.

Nem mesmo a hipoteca de Rogerio Caboclo, presidente da CBF, assegurando ao treinador permanência até a Copa do Mundo de 2022, é uma certeza.

“O Tite conhece a espinha dorsal do time mais do que conhecia antes da Rússia. E está preparado para mesclar esse time. Fez isso e tem confiança em novos jogadores. E está preparado para mesclar ainda mais para a Copa do Catar. Sei o planejamento que ele faz e o trabalho que ele faz. Posso dizer que ele tem contrato até a Copa do Cata e fica até lá”, disse Caboclo no programa Bem Amigos, de Galvão Bueno, nesta segunda-feira (17/6), em Salvador.

Seria surpreendente se Caboclo dissesse o contrário, três dias após a opaca estreia da Seleção contra a Bolívia na Copa América, com direito a vaias no intervalo do jogo no Morumbi.

Caboclo faz jogo de cena. Se fosse um ferrenho defensor de Tite não aceitaria a saída de dois dos principais pilares de sustentação do treinador na comissão técnica: o gerente de seleções, Edu Gaspar, e o auxiliar técnico número 1, Sylvinho.

Presidente da CBF não apenas concordou com a saída dos dois como abriu mão de uma multa rescisória de Gaspar estimada em R$ 8 milhões. Caboclo disse na quinta-feira (13/6), durante reunião da Conmebol em São Paulo na véspera de abertura da Copa América, que não poderia atrapalhar projetos pessoais e profissionais de Edu Gaspar e Sylvinho.

Gaspar vai assumir o cargo de diretor de futebol do Arsenal, da Inglaterra, após a Copa América e Sylvinho já é o técnico efetivo do time do Lyon.

As baixas de Gaspar e Sylvinho enfraquecem Tite no comando da Seleção. Gaspar foi uma exigência de Tite, ao então presidente da CBF Marco Polo Del Nero, para aceitar o comando da Seleção em julho de 2016.

Treinador perde terreno também ao ver que Caboclo trabalhar para que Juninho Paulista, coordenador da nova diretoria de Desenvolvimento do Futebol Brasileiro da CBF, assuma a função de gerente de Seleções no lugar de Gaspar.

Juninho Paulista não quer nem pensa nessa possibilidade e teria recusado solenemente o convite de Caboclo. Seu projeto é continuar a frente do conselho de notáveis na diretoria de Desenvolvimento do Futebol, departamento criado pelo novo presidente da CBF.

Tite não tem a menor afinidade com Juninho Paulista e muito menos com ex-jogadores campeões da Copa de 94 que são postulantes ferrenhos ao cargo de gerente de Seleções na vaga de Gaspar.

Técnico está sem força para participar da escolha de seu futuro chefe no escrete. Assim como se enfraquece na busca por um novo treinador da Seleção Olímpica, até então destinada a Sylvinho. Em janeiro de 2022, esta Seleção Olímpica vai disputar o Pré-Olímpico da Olimpíada do Japão 2020 e pode fornecer alguns jogadores ao projeto da Copa do Mundo 2022 no Catar.

“Vou decidir com Branco (coordenador das categorias de base da CBF) quem vai ser o técnico da Seleção Olímpica”, disse Rogerio Caboclo no Bem Amigos.

Em nenhum momento do programa, o presidente da CBF aventou a possibilidade de Tite participar do processo de escolha do técnico do time olímpico. Sylvinho, o preferido de Tite, caiu fora ao assumir o Lyon. Minou as preferências de Tite na Olímpica e o deixou a pé na seleção principal.

Sem Sylvinho na sua comissão técnica da Seleção, Tite promoveu seu filho Matheus Bacchi (foto) a auxiliar técnico número 1. Na Copa da Rússia, Matheuzinho, como é chamado entre os pares da Seleção, exercia a função de auxiliar técnico e tecnológico. Ao lado de Fernando Lázaro, analista de desempenho, o filho de Tite ocupava posição de destaque nas tribunas dos estádios da Copa como observador dos jogos da Seleção. Lá de cima das tribunas, os dois passavam, via rádio comunicador, instruções a Tite e comissão no campo a respeito do comportamento do time e sugestões táticas. Na maioria dos jogos mais torceram do que ajudaram o chefe.

A promoção de Matheuzinho provocou um caminhão de críticas a Tite, desde antiética, nepotismo e até desconfiança da capacidade técnica de seu filho para exercer a função.

Neste cenário de incertezas, Tite também perde apoio popular diante do fraco desempenho da Seleção nos dois primeiros jogos na Copa América e amistosos pós-Copa da Rússia. Suas entrevistas coletivas têm sido arrastadas. Trocou seu tom de voz incisivo por um discurso ameno, conciliador, típico de quem está acuado.

Muito da sequência de Tite no comando da Seleção passa pelo confronto contra o Peru, jogo que pode ajudar ou enterrar o treinador neste sábado (22/6), valendo primeiro lugar do Grupo A e vaga nas oitavas de final, na Arena Corinthians em Itaquera.

Enquanto isso, nos bastidores da CBF, o nome de Renato Gaúcho, treinador do Grêmio, é o preferido para assumir a Seleção após a Copa América. Estilo boleiro, irreverente e provocador, jogador da própria seleção nos anos de 1980 e bem aceito pela maioria torcida, Renato fez o Grêmio jogar bem nos últimos três anos. É a bola da vez. A conferir.

(post publicado no Chuteira FC)

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