Lula x Bolsonaro: jogadores de futebol fora das campanhas

foto: repdroução

Lula e Bolsonaro ainda não atraíram atenção de jogadores de futebol nas campanhas políticas, a pouco mais de um mês das eleições. A maioria dos atletas em atividade não se manifestou em público ou nas redes sociais a respeito de suas preferências. Apenas alguns ex-jogadores e ex-atletas de outros esportes tomaram partido.

Bem diferente de 2018 quando jogadores consagrados aderiram à onda Bolsonaro sem cerimônia. Neymar, Felipe Melo e Lucas Moura ficaram do lado do presidente, assim como Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, goleiro Marcos. Todos com muitos elogios ao candidato que seria eleito presidente naquele ano.

Contra Bolsonaro, as vozes mais firmes vieram de Juninho Pernambucano, Raí, Casagrande, de carreiras de impacto no futebol brasileiro e internacional.

Felipe Melo, na época volante do Palmeiras, se tornou aliado de primeira hora de Bolsonaro. Fez elogios públicos ao presidente eleito e se posicionou contra manifestações de trabalhadores no 1º de Maio chamando de vagabundos os que apoiavam uma greve geral no Brasil naquela ocasião.

Neymar virou acompanhante de Bolsonaro nas tribunas do estádios brasileiros durante a Copa América de 2019. Fora da Seleção Brasileira por ter sofrido lesão, o craque se deixou fotografar ao lado presidente sempre solícito.

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Enquanto o filho transitava de braços dados com Bolsonaro, o pai Neymar negociava com o governo uma multa aplicada pela Receita Federam no valor de R$ 188 milhões, por problemas no exercício fiscal das empresas de Neymar entre 2011 e 2013.

Neymar pai se reuniu com Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes, em abril de 2019. Na ocasião se manifestava orgulhoso com a empresa do filho posicionada entre as 10 mil que mais pagam impostos no Brasil.

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“O empresário (Neymar pai) apresentou seus esclarecimentos ao ministro Paulo Guedes, sendo usual a concessão de audiências ao setor privado, conforme consta na agenda pública das autoridades da União”, disse assessoria do Ministério da Economia.

Ronaldinho Gaúcho teve problemas com o Barcelona, clube que defendeu e onde é embaixador mundial, ao declarar apoio a Bolsonaro vestindo a camisa amarela com número 17 do então candidato a presidente. Na época, o Barça afastou o ex-craque das atividades de relações públicas e o caso virou polêmica estrondosa na Espanha e Brasil.

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“A homofobia, a misoginia e o racismo pregados por Jair Bolsonaro ao longo de mais de 30 anos de carreira política […] são inaceitáveis do ponto de vista azul-grená, já que o Barça é um dos clubes que mais se posicionaram internacionalmente em lado oposto ao de Bolsonaro”, diz o jornal Sport, de Barcelona, relatando a posição do clube em outubro de 2018.


Mudanças na campanha de 2022

Ronaldo Fenômeno, apoiador de Aécio Neves em 2014 e engajado na campanha pelo impeachment de Dilma Roussef em 2016, garante que nas eleições de 2022 não vai se posicionar.

Enquanto não se manifestam de que lado estão nas atuais eleições, jogadores em atividade nas Séries A, B,C e D do Brasileirão protestam contra a Lei Geral do Esporte, aprovada na Câmara dos Deputados, de maioria bolsonarista.

Nas últimas rodadas do Brasileirão em todas as séries, jogadores colocaram as mãos na boca antes do início dos jogos com a simbologia: “Não iremos nos calar”.

“A Lei Geral do Esporte é excelente em vários aspectos. Mas em relação a nós, atletas de futebol, ela nos fere, retira diversos direitos trabalhistas, conquistados ao longo dos anos. Na Câmara, somente os clubes foram ouvidos, e nós não. Assim, tivemos lesão em nossos direitos trabalhistas. Mas não iremos nos calar, nossa classe está unida e juntos teremos voz. E no Senado precisamos ser ouvidos. E vamos lutar por isso. Futebol é a maior paixão nacional, e nós atletas também somos as estrelas do espetáculo”, divulgou a União dos Atletas de Futebol ‘Séries ABCD, em junho.


Ex-jogadores e Lula

Se o silêncio ainda prevalece entre os jogadores em atividade no futebol brasileiro, alguns craques que encerram carreira colocam o bloco na rua. Juninho Pernambucano, ex-Vasco, Lyon e Seleção Brasileira, já declarou apoio a Lula. No dia de seu aniversário elogiou o candidato do PT em suas redes sociais.

Walter Casagrande também tem voto declarado em Lula. Desde que rompeu contrato com a TV Globo, em junho, tem se expressado de forma firme e intensa a favor do candidato e da luta pela democracia no Brasil. Aliás, Casão nunca escondeu de ninguém suas posições políticas desde os tempos da Democracia Corintiana no início dos anos de 1980.

“Eu voto no mesmo partido em que sempre votei. Vou votar no PT, vou votar no Lula. Gosto muito do Ciro, mas quem vai ganhar é o Lula, não é o Ciro. A coisa principal é tirar a família Bolsonaro, para a sobrevivência do País, da Nação. É para a sobrevivência do território brasileiro, e isso é uma coisa muito louca. Temos que votar para salvar a Amazônia, os indígenas…”, disse Casagrande à Carta Capital, em junho.

Até 2 de outubro, dia de se eleger o novo presidente do Brasil, é bem provável que aconteçam manifestações explícitas de jogadores e ex a respeito de suas preferências.

Não será surpresa se prevalecer a omissão histórica da maioria dos jogadores em atividade. A conferir.