Arrastão do futebol inglês leva embora jovens volantes do Brasil

Danilo deixa Palmeiras Danilo troca Palmeiras por Nottingham da Inglaterra - foto: Ag Palmeiras

Danilo (21 anos) do Palmeiras vendido ao Nottingham por R$ 110 milhões. João Gomes (21 anos) do Flamengo negociado com Wolverhampton por quase R$ 100 milhões. Andrey (18 anos) do Vasco comprado pelo Chelsea por R$ 69,7 milhões. Três transações fechadas entre a semana passada e essa quinta-feira (12/1). Em comum, três volantes com patente de Seleção Brasileira agora no futebol da Inglaterra.

Apetite dos ingleses por volantes brasileiros cresce a cada temporada. Não por acaso, passado, presente e futuro da Seleção jogam na Premier League.

Casemiro e Fred, “veteranos” da última Seleção dirigida por Tite, defendem o Manchester United. Clube inglês pagou R$ 366,9 milhões para tirar Casemiro (31 anos) do Real Madrid em julho do ano passado.

Fabinho, 29 anos, reserva de Casemiro na Copa, está no Liverpool há quatro temporadas depois de trocar o Monaco (França) pelo time da cidade dos Beatles.

Bruno Guimarães, 24 anos, saiu Lyon (França) e foi jogar no Newcastle por R$ 312 milhões, em agosto de 2022. Bruno era reserva de Fred e até Lucas Paquetá na função de segundo volante no selecionado de Tite na Copa do Qatar.

Aliás, Paquetá, 25 anos, também deixou o Lyon e assinou com West Ham – negociado por cerca de R$ 300 milhões em agosto de 2022.

Toda essa cobiça da Inglaterra por volantes brasileiros indica que o Brasil vem produzindo mais jogadores de marcação a meio-campistas de criação.

Adotando nomenclatura do passado, vendemos mais camisas 5 do que camisas 10.

E deixamos claro o empobrecimento do futebol brasileiro de excelência. Desde que Pelé eternizou o 10, o craque do time tinha de vestir esse número mágico.

Agora, não mais. Nos últimos dez anos, os meias perderam espaço. Não só por falta de maestria, mas também por escassez na formação de jogadores de talento na posição.

Mal que vem das famosas categorias de base. Lugar onde destruir, parece, tem mais valor que criar.

Sabemos fazer volantes. Vendemos a granel. Até por isso, caminhamos para mais 24 anos sem levantar uma taça da Copa do Mundo.

Não custa insistir. O craque campeão da última Copa, encerrada dia 18 de dezembro de 2022 no Qatar, é argentino e veste a camisa 10. Lionel Messi.