Por Luiz Antônio Prósperi – (07/7) – 00h30
Seleção Brasileira está fora da Copa América 2024. Cai eliminada nos pênaltis para o Uruguai. É a realidade do futebol do Brasil. Desbotado como o amarelo da nova camisa grife Nike. Opaco como a gola verde clara. Sem personalidade como a maioria dos jogadores, quase todos coadjuvantes em seus clubes. Clubes esses, também na sua maioria, pequenos ou na segunda prateleira da Europa.
Vivemos o retrocesso do retrocesso. Desde a insistência com Tite, pós-fracasso na Copa da Rússia 2018, até chegar na infeliz escolha de Dorival Júnior. Sem falar no ano perdido à espera de Carlo Ancelotti entregando o escrete a Ramon Meneses e Fernando Diniz, dividido com as tarefas do Fluminense.
Não é hora de pedir tempo a Dorival Júnior. Suas escolhas na convocação para Copa América soam uma provocação até aos mais céticos. Pavorosa.
Éder Militão, um ano parado por lesão, volta ao Real Madrid e joga no máximo 20 minutos na reta final da Champions. A caminhada dele para bater o pênalti escancara seus nervos em frangalhos.
Evanílson, Pepe, Yan Couto, Wendel, Beraldo… quem disse que são jogadores de Seleção?
João Gomes, titular absoluto de Dorival, tendo no currículo seis meses de bom futebol como coadjuvante do Flamengo e depois uma temporada normal no Wolverhampton, time pequeno da Inglaterra.
Bruno Guimarães, aquele que pensa o futebol com as canelas. Só pensa em pelejar, brigar, não tem lucidez na leitura do jogo. Atua no Newcastle, outro time pequeno da Inglaterra. É titular de Dorival.
Paquetá, aclamado como gênio por analistas, envolvido em apostas esportivas. Nem deveria ser convocado.
Andreas Pereira? Titular do Fulham. Torcedor brasileiro conhece o Fulham?
Vini Jr se imaginando que é Neymar. Principal jogador do escrete, leva cartão amarelo com seis minutos de jogo contra Colômbia e fica fora da decisão diante do Uruguai. Alguém conversou com esse rapaz? Dorival pediu para que ele fosse mais Vini Jr e menos Neymar?
Endrick, apontado como novo gênio do nosso futebol, em quatro jogos da Copa América só entra de titular no último. Dorival disse que o menino precisava de tempo. Enquanto isso na Espanha, Yamal, 16 anos, é um dos principais jogadores da seleção que está na semifinal da Eurocopa 2024.
Dorival erra na convocação. Demora uma eternidade nas substituições nos jogos. Quando resolve trocar, não tem um pingo de ousadia. Carimba as trocas como burocratas de cartório.
Dorival Júnior, cortês, educado e correto, passou quase 40 dias com esse grupo de jogadores entre treinos e jogos da Copa América. Não conseguiu formar um time, uma seleção de respeito. Em quatro jogos empata com a fraca Costa Rica, derrota o decadente Paraguai, leva baile da Colômbia, arranca um empate. E no mata-mata cai nos pênaltis para o Uruguai.
Dorival volta para casa com a sensação de que, a continuar com essa falta de luz, não vai longe no comando da Seleção Brasileira.
Dorival Júnior é um bom técnico de clube. Nada mais que isso.
A camisa da Seleção Brasileira precisa de ganhar um amarelo forte, remetendo à Copa do Mundo de 1970.
O amarelo desbotado da atual camisa traduz bem nosso futebol.
É preciso raspar de vez o desbotado para o mofo aparecer. E polir o escrete. Não adianta mais passar o pano.
Na véspera de se completar dez anos do 7 a 1 da Alemanha, nesse dia 8 de julho de 2024, vem à memória a carta de Dona Lucia destinada à CBF. É só trocar os nomes. A carta começaria assim:
“Querido Dorival Júnior”.






Deixe um comentário