Luiz Antônio Prósperi – 2 fevereiro (12h55) –
Copa do Mundo 2026 corre risco de perder dois países-sede a pouco menos de 500 dias do jogo de abertura. A saída de México e Canadá da organização da Copa ainda não está no radar da Fifa. Mas a guerra das tarifas declarada por Donald Trump contra México e Canadá, a partir de sábado (01/2), pode ter efeito devastador na realização do torneio de futebol programado para junho e julho de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá. A Fifa está calada.
Antes mesmo de a guerra das tarifas alcançar a Copa do Mundo, governos do Canadá e México já adiantaram retaliações contra a decisão de Trump. É só o começo.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, esteve na cerimônia de posse de Donald Trump no Capitólio. Um dia antes da posse, se reuniu com o presidente dos EUA, a quem se diz ser seu amigo.
Evidente que Infantino quer estar sempre ao lado de Trump. Dois dos grandes torneios da Fifa, em 2025 e 2026, serão disputados em território americano: Mundial de Clubes e Copa do Mundo.
No caso da Copa 2026, a Fifa elegeu três países-sede: EUA, Canadá e México. A tabela de distribuição de jogos já está pronta. Dos 104 jogos do torneio, 13 serão no Canadá e 13 no México.
“A maior edição da história das Copas terá 104 jogos, envolvendo 48 seleções nacionais espalhadas por 16 cidades-sede em três países – Canadá, México e Estados Unidos. O Estádio Azteca, da Cidade do México, vai sediar o jogo de abertura na quinta-feira, 11 de junho de 2026, com o México entrando em campo. O Estádio de Nova York e Nova Jersey terá a honra de receber a final da Copa do Mundo no domingo, 19 de julho de 2026″ – diz comunicado da Fifa.

Trump ameaça estender a guerra das tarifas à União Europeia. Se de fato o presidente americano impor tarifaço aos europeus, a situação da Copa de 2026 pode se complicar ainda mais.
A sede da Fifa é na Suíça. Todo dinheiro da Fifa tem bancos europeus como caixa-forte.
É cedo para se avaliar o impacto no futebol dessa guerra comercial deflagrada por Trump ao Canadá, México e até União Europeia. A expectativa é por uma manifestação da Fifa diante das retaliações de México e Canadá contra Trump.
A roda da grana que envolve uma Copa do Mundo começa a girar a partir da distribuição dos países-sede. No caso da Copa de 2026, a escolha se deu há mais de seis anos. Muitos contratos publicitários, infra-estrutura, serviços e afins já foram assinados entre Fifa e empresas dos EUA, Canadá e México.
Vídeo celebrando contagem regressiva a 500 dias da Copa 2026:
Acompanhe matéria do jornal Financial Times e reproduzida pela Folha:
EUA implementarão tarifas sobre México, Canadá e China a partir deste sábado (1 fevereiro)
Donald Trump disse nesta sexta-feira (31) que vai impor tarifas à União Europeia, adicionando o bloco a uma lista de alvos que inclui China, Canadá e México, levando os Estados Unido à beira de novas guerras comerciais com seus maiores parceiros comerciais.
O presidente dos EUA reconheceu que as novas tarifas poderiam causar alguma “disrupção” no mercado, mas afirmou que ajudariam o país a fechar seus déficits comerciais.
“As tarifas vão nos tornar muito ricos e muito fortes”, disse Trump a repórteres no Salão Oval na Casa Branca.
Horas antes de seu plano de tarifas de 25% sobre Canadá e México e 10% sobre a China entrar em vigor neste sábado (1º), Trump também ampliou sua ameaça para incluir a UE, que ele disse ter tratado os EUA “muito mal”.
“Vou impor tarifas à União Europeia? Absolutamente”, disse Trump. “Eles não aceitam nossos carros, não aceitam nossos produtos agrícolas, essencialmente, não aceitam quase nada”, afirmou. “E temos um déficit tremendo com a União Europeia. Então faremos algo muito substancial.”

Os comentários do presidente, feitos menos de duas semanas após seu retorno à Casa Branca, marcaram uma escalada acentuada em sua retórica sobre comércio e significam que a maior economia do mundo está à beira de impor tarifas a seus parceiros comerciais mais significativos.
“O presidente implementará amanhã (sábado, 1.º) tarifas de 25% sobre o México, 25% sobre o Canadá e 10% sobre a China por causa do fentanil ilegal que eles permitiram distribuir em nosso país, que matou dezenas de milhões de americanos”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta sexta.
As importações de bens da UE, Canadá, México e China foram de US$ 1,9 trilhões em 2023, cerca de 60% do total, de acordo com o banco de dados Trade Data Monitor.
Trump disse que também vai colocar tarifas em chips e “coisas associadas a chips” no futuro, e que aplicaria tarifas a petróleo, gás, aço, cobre, alumínio e produtos farmacêuticos.
Tarifas sobre aço e alumínio poderiam ser aplicadas já “neste mês, no próximo mês”, disse ele, enquanto tarifas sobre petróleo e gás aconteceriam por volta de 18 de fevereiro.
O dólar americano se fortaleceu com os comentários de Trump, deixando um índice da moeda contra seis pares em alta de cerca de 0,6%. O West Texas Intermediate, referência de petróleo dos EUA, subiu mais de 1% para US$ 73,81 por barril.
Trump disse que “provavelmente” reduziria as tarifas sobre o petróleo canadense para 10%, embora outras importações do país fossem taxadas em 25%. O Canadá é de longe o maior fornecedor estrangeiro de petróleo dos EUA, respondendo por cerca de 60% de suas importações de petróleo bruto.
O presidente disse que não havia “nada” que Canadá e México pudessem fazer da noite para o dia para impedi-lo de aplicar tarifas contra suas importações.
“Não é uma ferramenta de negociação”, disse Trump. “É puramente econômico. Temos grandes déficits com, como você sabe, todos os três.”
Economistas dizem que tarifas abrangentes seriam inflacionárias e poderiam impedir o Federal Reserve de reduzir os juros. Alguns funcionários do banco central já haviam começado a incluir as políticas de Trump em suas previsões em dezembro, antes de ele assumir o cargo.
Atingir os maiores parceiros comerciais dos EUA com tarifas acentuadas aumenta significativamente os riscos de desencadear guerras comerciais completas apenas dias após o início do segundo mandato de Trump como presidente.
Tanto o Canadá quanto o México prepararam pacotes de tarifas retaliatórias e estão prontos para implementá-los. A UE também disse que se defenderia com tarifas retaliatórias, como fez no primeiro mandato de Trump.
“Estamos prontos com uma resposta —uma resposta intencional, vigorosa, mas razoável e imediata”, disse o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau nesta sexta. Ele alertou os canadenses de que a nação “poderia enfrentar tempos difíceis nos próximos dias e semanas”.
A ex-ministra das Finanças do Canadá, Chrystia Freeland, que está concorrendo para substituir Trudeau, instou Ottawa a retaliar contra quaisquer tarifas dos EUA adicionando enormes taxas sobre veículos Tesla para punir Elon Musk, um dos principais aliados de Trump.
Trump indicou que não foi movido pelos avisos dos economistas de que novas tarifas prejudicariam a economia dos EUA ou arriscariam um salto na inflação à medida que os importadores repassassem o aumento do custo de seus produtos aos consumidores.
“Tarifas não causam inflação, causam sucesso”, disse ele.
Mas os democratas alertaram que grande parte do fardo seria repassada aos consumidores americanos. “Donald Trump está mirando suas novas tarifas no México, Canadá e China, mas elas provavelmente atingirão os americanos em seus bolsos”, disse Chuck Schumer, líder da minoria no Senado americano.
“Se essas tarifas entrarem em vigor, elas aumentarão os preços de tudo, desde alimentos, carros até gás, tornando ainda mais difícil para as famílias de classe média simplesmente sobreviver.”
Trump ameaçou pela primeira vez atingir Canadá, México e China com tarifas acentuadas em novembro, acusando-os de permitir migração ilegal e não fazer o suficiente para interromper o comércio do opioide fentanil.
Lobistas empresariais em Washington, preocupados com os efeitos nas cadeias de suprimentos dos EUA e nos custos dos produtos, esperavam que o presidente adotasse uma abordagem mais moderada e não aplicasse imediatamente uma taxa de 25%.
Outras opções incluíam adiar as tarifas para dar mais tempo aos governos canadense e mexicano para negociar com a equipe de Trump sobre segurança nas fronteiras, ou introduzir as tarifas gradualmente e aumentá-las ao longo do tempo.





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