Luiz Antônio Prósperi, de Nova York, 12 junho 2026 (21h50)
A Copa do Mundo 2026 começou. Em caráter oficial. Em pelo menos uma cidade-sede, a Copa ainda não existe. É o caso de Nova York. Não fosse a presença de milhares de torcedores, boa parte deles brasileiros, de outros cantos do planeta, diria que os novaiorquinos não estão nem aí com o soccer da World Cup Fifa 2026. Continuam em suas rotinas como se nada de tão grandioso estivesse prestes a tomar conta do país. Maioria das lojas, sempre ponto de atração de torcedores-consumistas, não exibe adereços da Copa. Muito menos bares e restaurantes. Não se vê um pingo de empolgação com o tal de futebol. E parece que assim vai caminhar a humanidade em Nova York até o fim dessa história do verão de 2026.
Mas, não se preocupe. Nem tudo está perdido. Há quem se interessa por futebol na Y Love NY. Por mais bizarro que possa parecer. Olha isso:
Quinta-feira, 11/6, caminhando pela 5ª Avenida castigado por um sol de torrar os miolos, deparo com uma enorme igreja espremida aos verdadeiros arranhas-céu. Ao pé de uma das torres, um anúncio dizia:
“At the table e with Jesus, Messi and Mbappé – Sunday, June 14, 2026, 10:00 AM – Rev Werner Ramirez – Presencial e Fapc.Oro” – Fifth Avenue Presbyterian Church – Fundada 1808″
Traduzindo:
“À mesa com Jesus, Messi e Mbappé – Domingo, 14 de junho de 2026, 10h – Rev. Werner Ramirez – Presencial e Fapc.Oro”
Pregação do Reverendo Werner na igreja Presbiteriana fundada em 1808, isso mesmo, vai orar por Jesus, Messi e Mbappé..
Se Nova York vive nem aí com a Copa, pelo menos Reverendo Werner está comprometido com a causa do futebol no país em que a Copa do Mundo, a World Cup, não tem a tal mais valia.
Aliás, Fifa e Trump têm feito de tudo para a Copa não cair no gosto dos americanos. E esfolar torcedores visitantes com ingressos nas alturas, transporte público zero aos estádios, um desdém arrogante contra a imprensa internacional em geral e, mais importante, a ganância por grana.
A Fifa projeta um faturamento de 11 bilhões de dólares com seu brinquedo. Não levanta a voz com os desmandos do governo americano às seleções do Irã, Iraque e africanas. Que cada um cuide de seu saco de dinheiro.
Nova York e seus 8,48 milhões de habitantes catalogados nos dados de julho de 2024 querem mesmo é seguir suas vidas sem mais tormentos. Por isso, vale a pena espalhar um contigente de policiais nas cercanias da Broadway, Time Square e Central Park. É de tropeçar nos guardas de farda preta a cada esquina. Precaução ou medo? Vai saber.
Inferno mesmo se viveu na quarta-feira finzinho de noite na impactante vitória de virada do New York Knicks em cima do San Antonio Spurs. Futebol, não. NBA, 107 a 106. A megametrópole enlouqueceu.
Andando por ruas cinematográficas de I Love NY se percebe a força dos Knicks do basquete e não se tem mesmo o tão aclamado clima de Copa. Nas ruas tudo lembra cenas de cinema. Viaturas polícias abusando das sirenes altas e caminhões de bombeiros a todo vapor também em altos decibéis de buzinas querendo se livrar do congestionamento das grandes avenidas, talvez para salvar um gato da velhinha que subiu na árvore.
Poluição sonora extrema, poeira de construções a cada quadra e no abafado calor de queimar o asfalto se sente a brisa da maconha liberada na megametrópole mais famosa do mundo. Quem se preocuparia com o futebol?
Assim, fica a curiosidade de como será o sermão do Reverendo Werner Ramirez tendo à mesa Jesus, Messi e Mbappé no templo presbiteriano na 5ª Avenida?
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