As capivaras e Neymar

Neymar fora do jogo contra Haiti – foto: CBF oficial

Luiz Antônio Prósperi, de Morristown, 18 junho 2026 (12h43)

Todos felizes. Todos jogadores, Ancelotti e seu comissariado estão no campo prontos a iniciar os treinamentos nesta quinta-feira (18/6) de manhã nublada no CT Red Bull, cercanias de Morristown. Nada de Neymar. Pouco depois, o craque entra sozinho. Começo de uma ilusão na véspera de o Brasil enfrentar Haiti, jogo decisivo, na Philadelphia.

Neymar é o último a pisar no mato verde rasteiro. Praxe das estrelas ou do Sol em treinamentos da Seleção Brasileira. Os diferentes entram por último. Neymar se junta aos companheiros, largo sorriso. Formam a roda de bobinho. Se divertem de bobinhos.

Da cerca de alambrados de ferro para fora do campo, estamos todos ali. Centenas de celulares modo vídeo empunhados, potentes câmeras de TV fincadas no chão apoiadas em tripés. Todos caçam imagens do Sol Neymar. Deitam comentários e análises imediatas do futuro agora da Seleção. Ex-jogadores de currículo, o tetracampeão Zinho, atacante Casagrande, jornalistas mais experientes com bagagem de cobertura de oito, dez Copas, repórteres imberbes, moças jornalistas, influencers, mídia internacional. Neymar de novo na boca de vídeos de todo o mundo.

Vem o aviso dos abnegados funcionários da CBF. Quinze minutos. Hora de se retirar. Os 15 minutos mais famosos da Copa 2026. Rotina diária nos treinamentos do escrete em Morristown.

Todos juntamos os equipamentos, tripés, mochilas, câmeras, microfones. Caminhamos em direção ao portão de saída do CT. Um olhar de um drone sugere a caminhada das capivaras. Costas curvadas ao peso dos instrumentos de trabalho.

De repente se tem um estouro na manada. Capivaras se espalham. A mensagem entra no zap: Comunicado oficial da CBF

“O atleta Neymar não viajará com a delegação para a Filadelfia.

Ele ficará em New Jersey para otimizar a fase final do seu processo de recuperação, fazendo uso das estruturas de excelência do hotel The Ride e do CT Columbia Park”.

A notícia obriga as capivaras a reverem suas análises, a regravar seus vídeos, a refazer os posts nas redes sociais… revirar o mundo.

Neymar está fora do jogo decisivo do Brasil contra o Haiti.

Pode ser que fique pronto para pegar a Escócia, dia 24, em Miami. Ou só na fase de mata-mata.

Reféns da saga do Sol Neymar, escrevemos mais um episódio dessa série interminável.

Capivaras sobrevivem dessas migalhas.

Recorremos à Inteligência Artificial. Lá diz do que se alimenta uma capivara:

“A capivara é um animal herbívoro que se alimenta principalmente de capim, gramíneas e vegetação aquática. O nome “capivara” tem origem tupi-guarani e significa exatamente “comedor de capim”.

Sim, nosso alimento vem de onde Neymar pisa.


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