Messi chora, ele tem o direito a chorar

Luiz Antônio Prósperi, dos Estados Unidos, 7 julho 2026 (15h23)

Messi continua vivo na Copa do Mundo 2026. Entre o casos e o êxtase, mas vivo. Depois de sofrer à beça contra Cabo Verde na fase 16 avos, suou horrores e lágrimas para sobrepor ao Egito nas oitavas de final. É assim, tem sido assim. Quando a Argentina mais precisa, Messi aparece. É dele a remontada por 3 a 2 quando a vantagem de 2 a 0 estava a favor dos egípcios. Ao fim do jogo, um choro incontido de júbilo, de extrema felicidade. Messi é um ser humano por mais que o atribuem um extraterrestre.

Messi não poderia ficar fora da festa quando o baile de gala chama por suas grandes atrações. Mbappé, Haaland, Kane e Yamal estão nas quartas de final. Cristiano Ronaldo e Neymar não passam e saem da Copa de forma prematura nas oitavas de final. Messi, solar, nem pensava em sair pelas portas do fundo. E se faz presente querendo chegar até a última dança.

A permanência do craque na Copa não foi tão simples. Começa com gol dos egípcios – Yasser Ibrahim, aos 15 minutos. Um pênalti duvidoso, aos 19, com vacilo de Messi e defesa do goleiro Shoubir. E vira agonia com o segundo gol do Egito, obra da Mostafa Zico, aos 22 minutos do segundo tempo. Pouco antes de Zico marcar, VAR anula gol dele alegando falta a favor da Argentina na origem do lance.

O que fazer, Argentina? 2 a 0 no lombo. Adversário retrancado e fatal nos contra-ataques. Um longo caminho se apresenta. Então, bola no Messi.

O craque insiste com dribles, passes curtos, passes longos, arremates ao gol. Nada feito. Até que, aos 34 minutos, após momentos de muita agonia, Messi cruza certeiro para o zagueiro Romero marcar o primeiro gol da Argentina.

Caminho aberto ao gol de empate. Como trogloditas da bola, os argentinos assumem o campo egípcio. Engolem os faraós até Messi aproveitar rebote da zaga e decretar o empate por 2 a 2, aos 38 minutos. Ufa! Respirem.

Argentina não se contentaria em levar o jogo à prorrogação. Queria resolver a questão antes de o tempo da prova se esgotar.

Messi na virada da Argentina 3 a 2 Egito

Messi dita as coordenadas de um contra-ataque com Lautaro Martinez, que, certeiro, cruza para Enzo Fernandez marcar, aos 48 minutos, o terceiro e definitivo gol da virada daquelas inesquecíveis. Egito reclama de pênalti em Salah na origem do lance do gol de Enzo.

Árbitro conduz o jogo a 55 minutos – dez de acréscimos – até o apito final.

Momento de extravasar. Cachoeira de lágrimas deságua dos olhos de Messi.

Chorando sem parar, recebe dezenas de abraços de companheiros de seleção argentina, comissão técnica e até de egípcios caídos. Uma procissão de afagos ao craque. A estrela mor dessa Copa do Mundo 2026. Artilheiro isolado com 8 gols.

Messi chora, vai continuar chorando. Aos 39 anos, ele tem direito a chorar.

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