Luiz Antônio Prósperi – 17 julho 2026 (16h39)
Os ingleses estão inebriados e enfezados com Messi pós-queda da Inglaterra nas semifinais contra Argentina na Copa 2026. Não se conformam do jeito que perderam e, ao mesmo tempo, elevam Messi ao céu. E dimensionam ainda mais o debate mundial caça audiência de que Messi já supera Pelé a reivindicar o trono de Rei do Futebol.
Acompanhe trecho da crônica de Barney Ronay, jornalista do sério jornal The Guardian de Londres:
Mas este era o dia de Messi, o momento de Messi. Ele agora disputará sua terceira final de Copa do Mundo, sendo o jogador de linha mais velho a atuar nesse palco, além de ser o maior de todos os tempos. Desta vez também foi diferente. Já havia algo de novo nas aparições de Messi durante aquela trajetória tensa até a final. Em alguns momentos, ele parecia prestes a alcançar algo extraordinário, como um homem que acorda sobressaltado.
Messi sempre teve uma vantagem fundamental sobre todos os outros jogadores: a oportunidade de jogar com Messi em todas as partidas. E Messi faz com que todos os outros jogadores do seu time joguem melhor. Ele cria uma aura especial, contagiando os companheiros com essa luz emprestada. E ele sempre se diverte ao máximo, porque todo jogo é um jogo de Messi. Pense bem: este é um homem que literalmente nunca jogou uma partida de futebol sem Messi. Todo dia é dia de Messi. Não é à toa que ele ama futebol. Como espectador, às vezes dá vontade de cutucá-lo no ombro e dizer: “Você sabe que nem sempre é assim, né?”
Assino embaixo o relato de Barney. Discordo apenas quando diz que Messi é “o maior de todos os tempos”.


Aliás não é apenas esse jornalista inglês a bradar Messi como novo Rei do Futebol. O debate está em todos os cantos, mídias, botecos, conversas nos navios, aeronaves, voos internacionais, na prosa sentado nas porteiras, nas metrópoles, nos recônditos lugarejos, nas pedras, aos pés das matas, nos quartos, nas telinhas e telonas.
Você concorda? Messi é melhor que Pelé?
Permita-me uma observação.
Messi ainda não é Pelé, não precisa ser Pelé, muito menos ser maior que Pelé. Nunca vai ser Pelé.
Os dois são incomparáveis. De séculos diferentes. De épocas bem distintas do futebol.
O que os une é a bola. Seja pesada dos tempos de Pelé, seja leve dos tempos de Messi.
Na bola Pelé jogou mais. Entendo assim. Tudo que Messi faz hoje com toda sua genialidade, Pelé já fez.
Não vamos ficar aqui recorrendo a números, estatísticas, feitos e conquistas de cada um.
Mire a bola.
Procure nas escassas imagens disponíveis, muitas delas de péssima qualidade, o que Pelé fazia com a bola.
E, em vez de comparar Messi a Pelé, eu, se fosse você, desfrutaria agora dos momentos de Lionel Messi.
Não desperdice um minuto do jogo de Messi e do que ele pode fazer, aprontar, nesta final de Copa do Mundo 2026, domingo, ali no estádio entre New Jersey e New York.
Não perca tempo. Apenas desfrute de Lionel.
Messi é hoje. Pelé, eterno.

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