Acreditem, Ronaldinho Gaúcho volta ao futebol na condição de jogador profissional após 11 anos de aposentadoria. Elege Ravenna, time da Série C (Terceira Divisão) da Itália, para sua nova aventura, agora aos 46 anos. Entenda os motivos que levam o “Bruxo” a despendurar as chuteiras nesse relato do repórter do jornal inglês The Guardian enviado à Ravenna:
por Emanuele Giulianelli, The Guardian em Ravenna, 21 agosto 2026
Parecia uma piada, uma farsa, quando às 22h do dia 19 de junho, o Ravenna anunciou a contratação de Ronaldinho. O brasileiro, ex-vencedor da Bola de Ouro e uma das figuras mais reconhecidas do futebol mundial, havia disputado sua última partida oficial em 2015 pelo Fluminense.
Uma contratação profissional na Série C aos 46 anos parecia, no mínimo, irreal. Com a atenção do futebol voltada para a Copa do Mundo, o mundo do futebol ficou chocado com essa notícia inesperada. Em sua maior parte, permaneceu incrédulo.
Houve muita discussão, na cidade e em todo o mundo, sobre o verdadeiro valor desta operação. E nós também conversamos sobre isso, falando com o prefeito, os torcedores e o presidente do Ravenna, Ignazio Cipriani, herdeiro da família mundialmente conhecida pelo Harry’s Bar, que está dando à sua cidade muito mais do que um sonho.
Sócio do clube
O sonho se materializou, dissipando quaisquer dúvidas, às 11h50 da manhã de quinta-feira. Ronaldinho, vestindo uma camisa florida e bermuda, com seu já conhecido boné na cabeça, desceu os degraus do jato particular que o trouxe de Milão Linate até a pista do aeroporto de Forlì.
É tudo verdade, tudo real. De lá, ele seguiu para os exames médicos de praxe, como um verdadeiro jogador de futebol. Ronaldinho se tornará sócio do clube de Ravenna, como explicou o presidente, mas também desempenhará seu papel em campo, com o sonho de marcar o último gol de sua carreira com a camisa amarela e vermelha.
Em seguida, veio a rápida conferência de imprensa, organizada pelos proprietários do Hotel Monaldina, a histórica residência da família empresarial Gardini-Ferruzzi, a dinastia materna da qual Cipriani descende. Houve poucas perguntas e respostas sussurradas, poucas palavras cuidadosamente escolhidas por Ronaldinho, que com seu sorriso habitual e modos gentis parecia ter voltado no tempo.
“O dérbi de Milão é a lembrança mais bonita da minha experiência anterior na Itália”, começou o ex-camisa 10 do Barcelona e do Milan, antes de esclarecer o que o levou à Romagna: “Amizade e paixão são as chaves que me trouxeram de volta para cá”.
Autoajuda ao Ravenna
Ele então esclareceu seus objetivos em Ravenna:
“Ajudar, motivar os outros jogadores e fazer uma temporada espetacular. Vencer, se possível.” Sobre sua possível presença em campo, explicou: “Se eu marcar um gol, minha experiência em Ravenna ficará ainda mais bonita, mas se eu realmente jogarei ou não, será decidido pelo presidente e pelo treinador.”
O que ele acha do entusiasmo de Ravenna, cidade que literalmente enlouqueceu por ele?
Ronaldinho sorriu e respondeu: “Acabei de chegar, mas tenho muita vontade de viver essa experiência com toda a cidade”. Sua missão, como já havia declarado, é levar alegria e amor.
Fazendo eco às suas palavras e captando a essência da empolgação da cidade, estava Ariedo Braida. Quase pronunciando cada palavra com clareza, o veterano executivo resumiu a operação com uma observação marcante: “Temos a magia do futebol em Ravenna, o que mais poderíamos pedir?”
O ex-diretor do Milan e do Barcelona também lembrou a opinião expressa por Kevin-Prince Boateng em 2016, segundo a qual Ronaldinho ocupa o primeiro lugar em um ranking que também inclui Pelé, Maradona, Messi e Cristiano Ronaldo.
Para fechar o ciclo, o próprio Cipriani revelou os bastidores do milagre, esclarecendo: “Ronaldinho está em forma”. Questionado sobre como convenceu o craque brasileiro, a resposta foi idêntica à do jogador: “Amizade e paixão”.
Bruxo acionista
Cipriani confirmou então a entrada de Ronaldinho como acionista do Ravenna FC, insistindo no profundo significado da iniciativa corporativa:
“Não se trata apenas de marketing, não se trata apenas de visibilidade internacional. É a oportunidade de criar um novo entusiasmo em torno do clube e da camisa amarela e vermelha”.
Então começou a festa, organizada em grande estilo num palco montado na praia de Marina di Ravenna, com a apresentação de todo o elenco do Ravenna.
O presidente do clube não esconde a ambição de uma rápida ascensão à Série B, com o objetivo de chegar à primeira divisão. A estrela do evento, sem dúvida, foi a lenda brasileira, que pela primeira vez se apresentou ao seu novo povo, aqueles torcedores do Ravenna que em junho estavam curiosos, céticos ou incrédulos.
Todas as dúvidas foram dissipadas na praia da antiga capital bizantina, que agora, com a chegada de Ronaldinho, pode realmente sonhar alto.
Em tempos recentes, a cidade da Romagna nunca foi tão comentada em todo o mundo.
Festa na praia
Os torcedores não apenas apareceram na praia para celebrar seu novo ídolo, como também nas bilheterias: o “efeito Ronaldinho” levou à venda de mais de 2.700 carnês de temporada para a campanha do Ravenna na Série C, que começa na segunda-feira em Reggio Emilia.
Ronaldinho, conforme confirmado por Cipriani, não participará da partida fora de casa, mas os torcedores esperam vê-lo em breve vestindo a camisa número 10, que lhe foi entregue pelo técnico Andrea Mandorlini em sua chegada a Ravenna.
“Muito obrigado”, foram as palavras que Ronaldinho dedicou aos seus fãs em festa, enquanto uma criança que subia no andaime do telão gritava: “Eu o vi!”
Ele o viu aos 46 anos, contaram histórias sobre ele. Talvez o veja jogar novamente. Essa é a magia do futebol.
Descubra mais sobre PRÓSPERI NEWS
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
