Corinthians joga pesado com medo de perder Tite

 

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“O Corinthians tem presidente, a CBF, não. O Corinthians tem técnico, a CBF, não.” Com essas declarações, Roberto Andrade, presidente do Corinthians, deu um não à eventual troca de Dunga por Tite no comando da Seleção Brasileira. A estratégia de Andrade é minar a CBF e tirar a credibilidade da entidade nessa fase obscura do futebol brasileiro.

A irritação de Roberto Andrade, manifestada em entrevista à FOX SPORTS, escancara também o medo que o comando do clube e, por tabela, toda a torcida têm diante da eventual saída de Tite. Se o treinador aceitar ao convite, que ainda não partiu da CBF, as consequências serão graves ao Corinthians.

O clube não tem um nome de envergadura para substituir Tite. Aliás, desde 2007 apenas Tite e Mano Menezes se revezam no comando do time – Adilson Batista teve uma passagem relâmpago, de agosto a outubro de 2010. E sem uma alternativa no mercado, a tendência é o Corinthians perder o foco.

A reconstrução seria um fardo, seja quem for o sucessor de Tite. Bem diferente das outras vezes que o clube salvou a Seleção Brasileira.

Em 1998, o Corinthians cedeu Vanderlei Luxemburgo à CBF, que continuou dirigindo o time e a Seleção até dezembro daquele ano quando foi campeão brasileiro. Luxemburgo nomeou Oswaldo de Oliveira, então seu auxiliar, como seu sucessor no clube. Osvaldinho foi campeão brasileiro e Mundial, em 1999 e 2000.

Em 2002, Carlos Alberto Parreira, campeão da Copa do Brasil, deixou o Corinthians para reassumir a Seleção logo após a saída de Felipão, então campeão do mundo na Copa de 2002. Geninho assumiu o posto de Parreira e o time entrou em parafuso com sucessivas trocas de treinadores até 2005.

Em 2010, após recusa de Muricy Ramalho ao convite de Ricardo Teixeira para assumir a Seleção, a CBF recorreu ao Corinthians, na época sob a direção de Andrés Sanchez, que acabou cedendo Mano Menezes. Com a saída de Mano, o clube apostou em Adilson Batista e em seguida jogou suas fichas em Tite.

A história pode se repetir agora com a anunciada queda de Dunga. A favor do Corinthians pesa a insegurança do comando da CBF. O presidente licenciado Marco Polo Del Nero, mesmo nas sombras, continua dando as cartas. Ele é o responsável direto pela volta de Dunga à Seleção e Gilmar Rinaldi como diretor de seleções da CBF.

Na próxima terça-feira, Del Nero e seus asseclas sem nome na CBF vão avaliar o trabalho de Dunga e dar início ou não às mudanças na Seleção.

Del Nero nem precisaria perder tempo. Basta olhar o desempenho de Dunga e Gilmar na Seleção. No ano passado, o Brasil ficou na sexta colocação na Copa América disputada no Chile. E, um ano depois, o Brasil ocupa o sexto lugar nas Eliminatórias da Copa de 2018.

Em um ano, de 2015 a 2016, a Seleção não deu um passo à frente. Por isso, Dunga está com os dias contados. E, por isso, o Corinthians está em sinal de alerta.

“O Corinthians tem muito mais a dar ao Tite do que a CBF pode dar a ele”, avisa Roberto Andrade. O presidente sabe que Tite, parece, também tem medo de assumir a Seleção neste momento.

 

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