A solidão de Romário

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Romário no Senado Federal

Eleito senador pelo PSB do Rio de Janeiro com 4,6 milhões de votos, em 2014, Romário imaginou que teria na política parceiros leais como tinha nos seus tempos de artilheiro implacável. Assumiu seu posto no Senado e, entre outras frentes de lutas, resolveu comprar briga com os dirigentes de futebol. Dois anos depois da posse, o Baixinho percebeu que nessa batalha nem sempre quem está ao seu lado prima pela lealdade.

Romário estabeleceu como uma de suas metas passar o futebol a limpo. Evidente que a CBF seria um dos alvos. Com muitas dificuldades criou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol para investigar a CBF e dirigentes que vivem na órbita da entidade.

O senador, um dos mais votados do País, aproveitou a enorme exposição dos escândalos de corrupção do futebol mundial levantados pelo FBI, tendo a Fifa como epicentro do terremoto em maio do ano passado, para se debruçar sobre os eventuais desmandos dos homens da CBF.

Naquela altura do campeonato, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira já estavam na mira da Justiça Americana e Conselho de Ética da Fifa. Faltava a Justiça do Brasil entrar na discussão.

Romário resolveu entrar na parada  e colaborar com a Justiça brasileira. Depois de inúmeras tentativas, conseguiu nesta quarta-feira convocar Del Nero, Teixeira e Wagner Abrão, empresário e parceiro de longa data nos negócios da CBF, a dar um pulinho na CPI do Futebol em Brasília. Teriam de dar algumas explicações sobre suas atividades no futebol.

A convocação dos dirigentes corre risco de ser anulada. Romário, além de lutar contra os cartolas, também tem ao seu lado políticos ligados à CBF, a chamada Bancada da Bola que trava tudo na CPI ou, quando não consegue, faz jogo de cena com os dirigentes.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR), segundo fontes do futebol, é um dos que estão do lado dos dirigentes da CBF. Jucá é o relator da CPI do Futebol e já discutiu com Romário sobre o andamento dos trabalhos na comissão.

Se depender da Bancada da Bola, Romário não vai sair vencedor nesta batalha.

Em outra frente, o ex-jogador também vai ter de lidar com Dunga e Gilmar Rinaldi, comandantes da Seleção Brasileira. Os dois foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de enquadrar Romário com duas queixas-crime diante das acusações do senador de que as convocações da Seleção estavam sob suspeita.

Veja o que Romário disse sobre os jogadores convocados por Dunga com aval de Rinaldi:

“Não se convoca mais os melhores, há interesses por trás. O diretor é Gilmar Rinaldi, que, até um dia antes de sua nomeação, era um agente de jogadores. Uma provocação! Você viu a convocação? Todos pertencem aos empresários que lucram com convocações. É evidente para todos.”

Artilheiro no seus tempos de jogador, Romário tinha bons parceiros com quem tabelar. Na política, ele percebe que está sozinho na grande área e sem a bola.

Veja os documentos da CPI:

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No início da noite desta quinta-feira, 07/4, Romário publicou na sua página no Facebook um desabafo contra a manobra do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que anulou a convocação de Del Nero, Ricardo Teixeira e Wagner Abraão.

Veja a página do craque no Facebook:

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Romário continua isolado na grande área.

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