Futebol paulista está sitiado

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Simulação de segurança em estádio de futebol

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, na figura do seu secretário Alexandre Moraes, vetou o jogo Corinthians x Red Bull Brasil neste domingo às 16h no Itaquerão pelas quartas de final do Paulistão. Argumenta que o governo não tem condições de garantir a segurança da partida por causa das manifestações, pró e contra o impeachment da presidente Dilma, previstas na região da Av Paulista e o centro de São Paulo.

Dona dos direitos de transmissão do Campeonato Paulista, a TV Globo também quer tirar o jogo de domingo para sábado. Assim teria o domingo livre para colocar ao vivo a votação no Congresso. A Globo paga a conta e exige seus direitos.

Os clubes não se impõem, ficam a mercê da rede de televisão e das decisões da Federação Paulista de Futebol (FPF). O que vier dessas duas entidades, avaliam os dirigentes dos clubes, é lucro. Nem questionam alterações de última hora, nem mesmo o que já vem servido no prato da FPF.

Veja o caso do Palmeiras, por exemplo. Paulo Nobre, presidente do clube, disse que quando chegou para a reunião na sede da FPF, nesta segunda-feira, para definir datas e horários dos jogos, já tinha na mesa a “sugestão” de o Palmeiras jogar na segunda-feira, às 21h, no Allianz Parque.

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Polícia escolta torcida do Palmeiras

Nobre aceitou de bom grado, mesmo sabendo que o jogo contra o São Bernardo não seria transmitido por tv aberta e sim no sistema pay-per-view. “O torcedor tem o direito de reclamar (do dia e horário do jogo). Por outro lado, o Palmeiras ganha muito dinheiro com o pay-per-view”, disse Nobre.

O Corinthians não havia se manifestado, até às 12h desta terça-feira, sobre a eventual troca do domingo, 16h, pelo sábado do seu jogo contra o Red Bull, como exige a Globo e Secretaria de Segurança.

A mesma Secretaria de Segurança Pública havia decretado torcida única nos clássicos do futebol paulista na semana passada. A medida, repudiada por boa parte dos clubes e FPF, foi uma reposta do governo de São Paulo à onda de violência de torcidas organizadas que assombra o futebol há décadas, com mortes, impunidade e descaso.

Diante desse quadro, não é difícil concluir que o futebol paulista está sitiado.

 

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