Jô aparece de novo e leva Corinthians a reviver uma história de 40 anos

Futebol é carregado de enigmas como nenhum outro esporte. Não fosse assim, não teríamos como contar a história dos confrontos entre Corinthians e São Paulo nas semifinais do Paulistão 2017.

No primeiro jogo, a honestidade de Rodrigo Caio permitiu a Jô disputar o segundo clássico. O São Paulo perdeu por 2 a 0 em casa. Teria de reverter a desvantagem no Itaquerão. Fez um primeiro tempo correto até levar o gol no finalzinho. Gol de quem? Jô, em posição de impedimento. Gol que destroçou o time de Rogerio Ceni do ponto de vista psicológico e obrigou a uma reviravolta quase impossível no segundo tempo. Não deu. Conseguiu no máximo um empate por 1 a 1, insuficiente para alcançar a final do campeonato. Quem vai decidir é o Corinthians contra a Ponte Preta, uma repetição da histórica decisão de 1977, um marco do futebol brasileiro escrito há 40 anos.

Naquela final, o Corinthians levantou a taça após um jejum de 23 temporadas sem ser campeão. Não faltaram discussões e polêmicas. O título se decidiu em três jogos, todos no Morumbi. No último, o gol foi de Basílio. Antes do gol, atacante Rui Rei, da Ponte, havia sido expulso aos 15 minutos do primeiro tempo. Depois do campeonato, Rui Rei foi contratado pelo Corinthians.

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Bom essa história será lembrada ao longo da semana até o primeiro jogo da final de 2017 no domingo. Muitas outras também entrarão na pauta. Mas vamos voltar ao jogo no Itaquerão.

Não havia outra alternativa ao São Paulo do que atacar e atacar no primeiro tempo. A missão era dura. Tinha de reverter a desvantagem de dois gols sofridos no jogo de ida no Morumbi. Até por isso, Rogerio Ceni começou o clássico com dois centroavantes de ofício – Lucas Pratto e Gilberto – e uma proposta de muitos cruzamentos na grande área de Cassio. Funcionou em parte. A maioria dos cruzamentos não teve um ponto final por falta de destreza dos que levantaram a bola em busca dos dois centroavantes. Gilberto e Pratto também não se entenderam.

Acomodado na sua vantagem, o Corinthians aceitou a pressão. Jogou como tem feito desde o início da temporada. Seguro no sistema defensivo e quase fatal nos contra-ataques, sempre com a intenção de iludir o adversário. Pregou alguns sustos em Renan Ribeiro.

Quando restavam dois minutos para o encerramento do primeiro tempo, Romero fez falta em Maicon, mas o árbitro ignorou. Na sequência saiu a falta a favor do Corinthians. Jadson levantou na área, Pratto teria desviado a bola de raspão e sobrou para Jô marcar. Jô estava impedido e só teria condição de jogo se a bola tivesse tocado de fato na cabeça de Pratto. Lance polêmico. Lance que abalou o São Paulo e deixou o clássico ainda mais tenso.

No segundo tempo, Ceni buscou outras alternativas para reverter a desvantagem. Nada feito. Fiel ao jogo miúdo, sem correr grandes riscos, o Corinthians cozinhou a partida e só levou um susto com o gol de Pratto, aos 37. Nada muito preocupante. E fechou o confronto classificado à final.

Rogerio Ceni vai ter motivos de sobra para rechear seu discurso em cima do lance fatal de Jô e lamentar por muito tempo a honestidade de Rodrigo Caio na primeira partida. Fabio Carille também poderá desdenhar das forças do futebol paulista. Dos quatro grandes, o Corinthians era o mais improvável finalista. Com estilo fiel aos princípios de Tite, está decisão do Paulistão. Enquanto isso os outros três gigantes se debruçam no muro das lamentações. E futebol segue em frente com seus enigmas.

(texto publicado no CHUTEIRA FC)

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