CBF proíbe comemoração de gols dos jogadores com os torcedores

Rivaldo não teria vida fácil se ainda jogasse futebol em algum clube brasileiro nessa temporada de 2017. A cada comemoração de um gol, com aquele seu gesto característico de cobrir a cabeça com a camisa, seria punido com o cartão amarelo. Essa advertência, entre outras polêmicas, faz parte das “novas normas de padrão da arbitragem” divulgadas pela CBF, no dia 11 de maio, em seu site oficial e repassadas a todos árbitros que apitam nas Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil.

Veja um trecho do documento publicado pela CBF:

Os jogadores podem comemorar gol, porém as comemorações não podem ser excessivas. Não será admitida, em hipótese alguma, comemoração na arquibancada, no alambrado ou nas escadas, visto que este tipo de comemoração coloca em risco a integridade física do jogador e do torcedor.

Conforme texto da regra do jogo 2017/2018, um jogador deve ser advertido com cartão amarelo por:

  • subir nos equipamentos de proteção do campo;
  • fazer gestos provocativos, debochados ou inflamatórios;
  • cobrir a cabeça ou rosto com máscara ou artigos semelhantes;
  • tirar a camisa ou cobrir a cabeça com a camisa.

Um dos responsáveis, o mais graduado, por essa nova recomendação aos árbitros é o coronel Marcos Cabral Marinho de Moura, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF. Por ser um militar de carreira, o dirigente se atenta aos ítens de segurança em um jogo de futebol e, com base em novas mudanças de regras determinadas pela International Football Association Board (IFAB), em março de 2017, resolveu vetar eventuais excessos nas comemorações dos gols.

Veja um dos ítens da nova regra determinada pela IFAB que levou o coronel Marinho a coibir as celebrações do gol:

Na “Regra 12 – Faltas e Incorreções”, um tópico fala que “as celebrações de gol que causem problema de segurança devem ser punidas com CA (cartão amarelo)”. Com base nessa recomendação, a CBF atendeu às decisões do coronel e resolveu regulamentar e coibir algumas comemorações de gols.

O coronel Marinho, como é conhecido no meio do futebol, chegou à CBF nomeado pelo presidente Marco Polo Del Nero em setembro do ano passado para chefiar a Comissão de Arbitragem. Substituiu Sergio Corrêa, então presidente da comissão, destituído do cargo por pressão dos clubes, que se sentiram prejudicados pelos árbitros no Brasileirão de 2016.

Del Nero recorreu ao coronel e, de pronto, conquistou apoio dos clubes e das federações estaduais. Coronel Marinho é um velho conhecido do presidente da CBF. A história remonta aos anos de 1980.

Formado na Academia Barro Branco da Polícia Militar de São Paulo, Marcos Marinho serviu ao corpo de seguranças dos governos estaduais Franco Montoro e Orestes Quércia até ingressar no 2.º Batalhão de Choque da PM, divisão encarregada da segurança em praças esportivas.

Passou 17 anos lidando com a segurança e repressão nos estádios e ações contra torcidas organizadas. Segundo dados não oficiais, nesse período não tem um registro de morte por ação de seu batalhão e nenhum soldado morto em confrontos relacionados ao futebol.

Veja vídeo do coronel Marinho quando era major da PM e lidava com torcidas organizadas:

vídeo https://youtu.be/KYTpJTnD7M4

Por conviver diretamente com dirigentes de futebol, em especial na Federação Paulista de Futebol (FPF), na época comandada por Eduardo José Farah e depois por Marco Polo Del Nero, o coronel Marinho se aproximou dos cartolas.

Em 2005 recebeu o convite de Del Nero para assumir a Comissão de Arbitragem da FPF. “Fui convidado pelo presidente Del Nero para chefiar a comissão em razão do episódio de árbitros envolvidos com casa de apostas”, disse Marinho em entrevista na época.

O caso a que se referiu foi o escândalo da “Máfia do Apito”, quando a Polícia Federal descobriu que resultados de jogos de futebol eram manipulados por árbitros em acordo com uma quadrilha de apostadores.

Coronel Marinho já estava lotado na FPF à frente do Departamento de Segurança e Prevenção, um órgão criado na entidade para cuidar da segurança nos estádios no momento crítico que crescia o número de mortes de torcedores e de confrontos de torcidas organizadas.

Na tentativa de “moralizar” a arbitragem do futebol paulista, Del Nero se socorreu ao coronel Marinho. Em 2012, Del Nero trocou a FPF pela CBF, como vice do presidente José Maria Marin. E, em 2015, se elegeu presidente da CBF.

O reinado do coronel Marinho na chefia dos árbitros paulistas se estendeu de 2005 até janeiro de 2016, quando foi afastado da função na FPF por ter escalado um árbitro irregular em um jogo da Copa São Paulo de Juniores.

Fora da Comissão de Arbitragem, o coronel voltou à função no Departamento de Segurança da FPF até ser puxado novamente por Del Nero, agora para “moralizar” a arbitragem nacional com o comando da comissão da CBF.

Como o leitor percebe, o coronel nunca apitou um jogo em caráter oficial e muito menos jogou futebol.

Sua especialidade é segurança, como atesta sua formação de militar. Até por isso, aproveitou a brecha nas novas regras impostas pela International Football Association Board (IFAB), que fala dos eventuais excessos na celebração do gol, para coibir as comemorações dos jogadores.

Aliás, as costumeiras invasões à beira de campo dos jogadores reservas para comemorar o gol com os que estão jogando também estão vetadas. De repente, na visão da CBF, o gol é o momento de alta periculosidade no estádio de futebol e ninguém sabia ou atentou para esse detalhe.

Veja as comemorações dos gols de Rivaldo:

Veja outras determinações da Comissão de Arbitragem (clique aqui).

(texto publicado no CHUTEIRA FC – leia mais notícias de futebol)

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