Palmeiras derrota Flu e ainda não se livra de seus demônios

O jogador Guerra, da SE Palmeiras, comemora seu gol contra a equipe do Fluminense FC, durante partida válida pela sexta rodada, do Campeonato Brasileiro, Série A, na Arena Allianz Parque.

Palmeiras ainda não se libertou de seus demônios. Sofre e assopra, mesmo em vitórias importantes como os 3 a 1 em cima do Fluminense neste sábado (10/6). Resultado diminui a fervura e expõe algumas fraturas. Roger Guedes, por exemplo. Um dos melhores da partida, com entrega, assistência e gol no finalzinho, não escondeu a birra. Sinal de que o universo do time passa por tempestades uma atrás da outra.

Num passado não muito remoto, Borja atraía relâmpagos. Descontente com entra e sai do jogo, gols perdidos, desconfiança de que não valia nem metade dos R$ 35 milhões pagos por seu futebol, era um dos atormentados do grupo.

Felipe Melo, homem de soco forte e fala grossa, também entrou no tornado. Pegou um gancho um tanto injusto por causa da batalha contra o Peñarol, virou jogador de banco, e,  quando parecia retomar seu lugar, se machucou.

Dudu, a solução de todos os problemas, saiu fora de combate vítima de esgarçamento de músculos. Ninguém informa quando ele vai voltar.

Jean, um dos esteios de 2016, não consegue recuperar a bola e a forma de antes. Sai da lateral, vai para o meio, volta para lateral, perde pênalti e não faz o time virar.

Fernando Prass, herói aclamado em tantas jornadas, passou a buscador de bola no fundo de suas redes por falhas próprias. Neste sábado, matou um diabo e se redimiu.

35092409851_6d0c268ff2_oAs vitórias escasseiam, as derrotas crescem e estoura no diretor executivo de futebol Alexandre Mattos. Acusado de torrador de grana e de não resolver problemas do grupo, é defendido pela dona da Crefisa, patrocinadora que já investiu mais de R$ 100 milhões no clube. “Se o Alexandre Mattos sair do Palmeiras por fofocas e perseguição dentro do clube, vou rever meus investimentos no Palmeiras”, diz Leila Pereira, a dona da Crefisa.

Fora esse redemoinho todo, surge agora Roger Guedes. Principal artífice da vitória da reabilitação em cima do Fluminense, ele deu uma voadora na bandeirinha do córner ao marcar o terceiro gol, saiu de campo sem dar entrevistas e expondo um evidente descompasso no ambiente interno dos atletas.

Guedes é desses jogadores de muita força física, de bom drible, de inventar jogadas no extremo da situação, um assistente de primeira e de gols redentores. Fez tudo isso na partida desse sábado, mas despertou a desconfiança de que não vive o melhor dos mundos no Palmeiras.

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No jogo em si contra o Flu, Cuca mais acertou do que errou. Armou o time mais leve, de velocidade na transição e com boas alternativas no ataque, seja nas pontas ou nas tabelas. Sofreu mais do que devia. Teve de remexer nas peças no momento que tudo parecia encaixado, com Thiago Santos no lugar de Jean, quando Felipe Melo estourou o músculo. Reorganizou a casa. E saiu recompensado com os 3 a 1.

A vitória espanta fantasmas que assombram o Palmeiras neste momento agudo do Brasileirão. Falta excomungar os últimos demônios.

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