CBF erra ao renovar com Tite. Por que não Guardiola?

Guardiola vibra com goleada do City por 7 a 2 no Campeonato Inglês

CBF comete erro grave ao renovar contrato com Tite por mais quatro anos, até a Copa do Mundo de 2022 no Catar. E com adendo de avaliação mais precisa após Copa América de 2019 no Brasil. Se não for campeão do torneio sul-americano no ano que vem no seu próprio país, treinador corre risco de ser demitido e não chegar até 2022.

Tite não fez nada de extraordinário para merecer um novo contrato. Campanha na Copa da Rússia pode ser enquadrada como fracasso absoluto. Enfrentou adversários do segundo escalão sem convencer na primeira fase contra Suíça, Costa Rica e Sérvia. No mata-mata sofreu à beça diante do México e levou um banho da Bélgica, em especial no primeiro tempo quando adversário abriu dois gols de frente e poderia ter feito mais.

No Mundial, Tite teve ajuda de 40 profissionais, isso mesmo, 40 auxiliares em todos os níveis da comissão técnica. Do filho Matheus, com a estranha função de auxiliar tecnológico, ao simples roupeiro. Abriu mão apenas de um psicólogo, entendendo que seu discurso de auto-ajuda, muito evidente nos anúncios publicitários do Banco Itaú pré-Copa, seria suficiente para domar o grupo de jogadores.

Nem vamos entrar aqui na discussão das regalias concedidas a Neymar.

Adulado pela mídia desde a fabulosa campanha nas Eliminatórias da Copa, Tite nunca viveu o contraditório. Todas suas decisões foram aplaudidas. Até mesmo a de se cercar de fiéis escudeiros com quem trabalhou no Corinthians, sem um pingo de experiência internacional.

Tite renova com CBF

Ao receber carta branca da CBF antes da Copa, treinador serviu aos interesses da cartolagem brasileira afogada em investigações da Justiça dos EUA e Suíça. Sabia que a CBF estava a seus pés.

Tite pode até assimilar as lições da Copa da Rússia e fazer uma urgente correção de rumos. Primeiro passo: se cercar de gente mais qualificada, com lastro de Mundial. Segundo: se render e entender que precisa de mais conhecimento do trabalho que treinadores realizam nas grandes e médias seleções. Ser humilde nesse ponto. Não é o que se projeta, pelo  menos até a nova entrevista do treinador após a renovação do contrato.

Revolução tem nome: Guardiola

Diante desse cenário de mesmice com a continuidade de Tite na Seleção, seria interessante uma mudança radical. Se a CBF estivesse disposta a mexer com alicerces do futebol brasileiro, poderia oferecer um contrato a Pep Guardiola, admirador confesso do nosso futebol.

Treinador nem precisaria se mudar para o Brasil. Fixaria residência em um país estratégico na Europa e de lá monitoraria os principais jogadores brasileiros nos clubes estrangeiros – Tite levou para Copa da Rússia apenas três jogadores que atuavam em clubes brasileiros, os outros jogavam e jogam no futebol europeu, apenas Renato Augusto veio da China.

Guardiola, sem panelas e “parceiros” aqui, nomearia dois auxiliares para acompanhar e avaliar jogadores que atuam no Brasil. Como é fã da geração da Seleção Brasileira de 82, treinador espanhol poderia ter Paulo Roberto Falcão e Zico, os dois com reconhecimento internacional, como observadores e integrantes fixos de sua comissão técnica atuando diretamente no futebol brasileiro.

Falcão e Zico teriam reuniões periódicas com Guardiola até se chegar ao consenso de uma seleção brasileira ideal.

Como a CBF não pensa em uma revolução e está mais preocupada em manter sua arcaica  estrutura, com a benção de dirigentes de federações e de clubes, Guardiola é uma miragem. Vamos de Tite e seu discurso de auto-ajuda até a próxima derrota.

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