Copa América: Seleção se rebela contra CBF e Bolsonaro, torneio corre risco

Rogerio Caboclo e presidente Bolsonaro na crise da Seleção – foto: Lucas Figueiredo/CBF

Rogerio Caboclo, presidente da CF, acerta com Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, uma trama macabra e política: bancar a Copa América no país após desistência das anfitriãs Argentina e Colômbia de organizar o torneio em cima da hora. Acordo foi fechado domingo, dia 31 de maio. Bolsonaro e Caboclo construíram uma crise grave que pode implodir a CBF.

Os dois não levaram em conta os quase 500 mil brasileiros mortos na pandemia da COVID e a insatisfação crescente dos jogadores em ter de disputar a Copa continental em solo brasileiro.

Bolsonaro mesmo assim anunciou em pronunciamento à nação às 20h30 de quinta-feira (03/6) que o Brasil vai sim sediar a Copa América – 13 de junho a 10 de julho.

Um dia antes da fala de Bolsonaro em cadeia nacional de TV, Caboclo se viu obrigado a se deslocar do Rio até Teresópolis, local de treinamentos da Seleção, convocado para uma reunião de urgência com jogadores e a comissão técnica de Tite

Na pauta, o enorme mal-estar dos jogadores e comissão técnica da Seleção diante da obrigação de atuar na Copa América no Brasil. Cobraram de Caboclo o descaso por não serem informados pela entidade sobre a decisão de o país dos quase 500 mil mortos na pandemia receber o torneio. Eles ficaram sabendo da decisão da CBF por meio da mídia e não do comando da entidade.

Atletas da Seleção Brasileira, assim como líderes das outras seleções sul-americana, deixaram claro o incômodo, insatisfação com a Copa no continente devastado pela pandemia.

Comunicaram ao presidente da CBF que estão dispostos a não entrar em campo. E deixaram Caboclo na mão.

Caboclo não esperava por reação contrária dos jogadores. Apostava na simpatia e apoio que a maioria dos atletas brasileiros confere ao presidente Bolsonaro. Não passava por sua cabeça que eles se recusariam a contrariar o presidente da República.

Pois é, nem todos vivem na sombra do Brasil.

“Temos uma opinião muito clara e fomos lealmente, numa sequência cronológica, eu e Juninho (diretor de Seleções da CBF), externando ao presidente (Rogerio Caboclo, CBF) qual a nossa opinião. Depois, pedimos aos atletas para focarem apenas no jogo contra o Equador. Na sequência, solicitaram (os jogadores) uma conversa direta ao presidente (Caboclo). Foi uma conversa muito clara, direta. A partir daí, a posição dos atletas também ficou clara. Temos uma posição, mas não vamos externar isso agora. Entendemos que depois dessa Data Fifa as situações vão ficar claras” – disse Tite nesta noite de quinta-feira (04/6) – “Depois desses dois jogos, vou externar a minha posição”.

A crise é grave. Como Tite e os jogadores prometeram revelar suas posições apenas na terça-feira (09/6), após jogo Paraguai x Brasil pelas Eliminatórias da Copa 2022, é bem provável que Bolsonaro entre em ação pedindo apoio de Neymar, adepto e fã sempre de plantão a servir ao presidente.

Se a decisão dos jogadores for um NÃO à Copa América, a CBF pode implodir. Cabeças vão rolar. Rogerio Caboclo, em apuros na governança da entidade há pelo menos dois meses, corre risco de ser retirado do trono. Tite idem.

Copa América 2021

Grupo A: Argentina, Bolívia, Uruguai, Chile e Paraguai.
Grupo B: Colômbia, Brasil, Venezuela, Equador e Peru.

Jogos acontecem dentro dos grupos. Passam às quartas de final as quatro melhores de cada chave.

A nova programação inclui 28 partidas e, segundo comunicado da Conmebol, diminui o número de sedes e viagens, adicionando dias de descanso para as equipes classificadas entre a fase de grupos e as quartas de final.

As sedes: Rio de Janeiro (Estádios Maracanã e Nilton Santos), Brasília (Estádio Mané Garrincha), Goiânia (Olímpico) e Cuiabá (Arena Pantanal).

O Estádio Mané Garrincha, em Brasília, sediará abertura dia 13 de junho, com Brasil x Venezuela. Maracanã receberá a final no dia 10 de julho.