Bicampeão olímpico nas duas últimas Olimpíadas, 2016 no Brasil e 2021 no Japão, futebol brasileiro masculino está fora da Olimpíada Paris 2024. Argentina e Espanha, atuais detentoras da Copa América e da Euro, entraram em campo com suas seleções Sub-23 na abertura do futebol nos Jogos da França, nessa quarta-feira (24/7). Ausência da seleção brasileira dos garotos atrasa processo de evolução de uma geração das mais promissoras do nosso futebol. Prejuízo certo para o Brasil na Copa do Mundo de 2026.
Antes de entrar na discussão da ausência seleção brasileira, a primeira rodada teve derrota da Argentina por 2 a 1 para Marrocos. Acréscimos de 16 minutos, gol argentino anulado no VAR após reviravoltas na marcação, invasão de campo, jogo paralisado e retomado quando o estádio estava vazio. E o Paraguai, que levou a vaga no Pré-Olímpico deixando Brasil fora de Paris 2024, tomou uma sova de 5 a 0 do Japão na estreia.
GERAÇÃO PREJUDICADA
Endrick (Real Madrid), Rodrygo (Real Madrid), Victor Roque (Barcelona), Marcos Leonardo (ex-Santos hoje no Benfica), Danilo (ex-Palmeiras hoje no Notthingham Forest), Murilo (ex-Corinthians hoje no Nottingham Forest), João Gomes (seleção principal e Wolverhampton), Savinho (Manchester City), Estevão (Palmeiras), Luiz Guilherme (ex-Palmeiras hoje no West Ham).
Meninos na lista acima estão na faixa de idade até 23 anos, todos em condições legais de disputar uma Olimpíada que não admite atletas de futebol masculino acima de 23 anos – cada seleção só pode inscrever três jogadores com mais de 23 anos.
É fácil concluir que vamos atrasar processo de formação desse garotos na Seleção Brasileira.
Analistas e torcedores mais céticos podem dizer que uma Seleção Brasileira Olímpica não tem relação direta com uma Seleção Brasileira principal na Copa do Mundo. O que não é verdade. Sempre é bom lembrar que a Olimpíada é disputada dois anos antes de uma Copa do Mundo.
E aí recorremos ao exemplo de uma seleção vencedora, a Espanha, que acaba de conquistar a Eurocopa 2024.
No grupo de 26 jogadores espanhóis campeões na Euro, sete disputaram a Olimpíada de 2021 no Japão – sem falar no técnico Luiz de la Fuentes. Espanha ficou com a medalha de prata e o Brasil levou o ouro.
Brasil levou quatro jogadores medalha de ouro na Olimpíada 2021 para Copa América 2024 nos EUA: Arana, Douglas Luiz, Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli.
Seleção Olímpica cria casca, serve de lastro aos meninos que dois anos depois terão pela frente uma Copa do Mundo.
Mesmo com exemplos históricos da importância da seleção olímpica à seleção principal, a CBF, com raras exceções, nunca atendeu a esse processo natural.
Escolhas de treinadores das seleções de base não têm nenhuma ligação com os técnicos da seleção principal.
Veja o exemplo: Ramon Meneses comandou a Seleção Brasileira Sub-20 no Mundial da categoria na Argentina. Caiu eliminado por Israel nas quartas de final. E no Pré-Olímpico, valendo vaga na Olimpíada Paris 2024, não conseguiu a vaga. Ataque do Brasil tinha Endrick e John Kennedy.
Ramon Meneses não tinha trabalho consolidado nas categorias de base de grandes clubes brasileiros. Chegou a ser interino na Seleção principal no período que a CBF aguardava por Carlo Ancelotti.
Rogerio Micale, campeão olímpico comandando a Seleção na Olimpíada 2016 no Brasil, dirige a seleção do Egito na Olimpíada Paris 2024.
André Jardine, campeão olímpico dirigindo a Seleção na Olimpíada de 2021 no Japão, faz sucesso hoje no futebol mexicano no comando do América, principal clube do país.
CBF precisa entender a lógica dos ciclos olímpicos e Copas do Mundo. E ligar uma ponta a outra.
Enquanto isso, gerações promissoras perdem tempo precioso na sua evolução natural.





Deixe um comentário