Futebol brasileiro se ajoelha aos pés de Neymar e chora a conquista do ouro

5532-2Neymar está em paz com sua consciência e não deve mais sofrer ao vestir a camisa da instituição Seleção Brasileira. Quando o País estava nas suas costas, quando a desconfiança era maior do que todas as certezas, quando o mundo já o relegava ao lugar dos comuns mortais, Neymar apareceu. Colocou seu destino debaixo do braço e deu ao Brasil a primeira medalha de ouro do futebol na Olimpíada. Feito para poucos, dos diferentes. Dos que podem agora assumir o panteão dos ídolos.

Vencer a emblemática Alemanha numa final no Maracanã, ainda mais nos pênaltis, mesmo que não seja aquela dos 7 a 1, encaminha a reconciliação do futebol brasileiro com a sua origem. Desde o princípio se depositava nesta Seleção Olímpica uma esperança de que o rio voltaria ao curso normal. Havia um punhado de garotos diferentes, intrépidos com a bola nos pés, e um extraclasse para fazer a diferença.

Não era possível mais suportar tanta desilusão, descaso, covardia e tédio dos últimos tempos da Seleção. Algum abnegado teria de assumir a coragem de resgatar o futebol que deu ao Brasil as cinco estrelas bordadas na camisa amarela. Coube ao desconhecido e bonachão Rogerio Micale a façanha. Por conta e risco e fiel aos seus princípios apostou neste conceito e se rendeu a Neymar quando muitos torciam o nariz. E foi em frente.

Nos dois primeiros jogos, sofreu como um condenado à cruz. Depois embicou três vitórias de patente até chegar à decisão com os alemães. Eles de novo à nossa frente.

Então veio o jogo. No palco dos palcos. No Maracanã impregnado de histórias de infinita alegria e da maior dor do mundo com a Copa de 1950.

Capitaneados por Neymar, lá foram os meninos enfrentar um adversário rigoroso, duro e frio como uma rocha e que gosta de jogar e joga o bom futebol.

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Fortes vibrações contagiavam o estádio abarrotado e vestido de amarelo. Era preciso mais do que nunca fazer história.

Neste cenário de confiança, tivemos um primeiro tempo intenso, com direito a três bolas triscando no travessão de Weverton e um gol espetacular em cobrança de falta que há muito tempo não se via.

Alemães deram o primeiro susto com a jogada mais letal deles. Gnabry domina bola na esquerda, chama Zeca e serve Brant para bater colocado por cima de Weverton e carimbando o travessão. Um susto digno dos 7 a 1 quando a Alemanha na Copa de 2014 saiu na frente e massacrou até o fim.

Salvo e refeito do golpe, o Brasil passou a trocar mais passes, virar o jogo e a procurar mais Neymar. Era um antídoto contra a rápida transição alemã em busca do contra-ataque. Funcionou.

A Seleção Olímpica ampliou seu campo de ação, passou a jogar dentro do território germânico. E a chamar a falta, sempre com Neymar carregando a bola. De tanto insistir com essa vertente, o craque do Brasil sofreu uma falta perto da grande área.

Era hora de o jogador mais importante do jogo fazer a diferença. Era o momento de se fazer presente, de contar ao mundo que, sim, ele poderia ser decisivo. Então, com um capricho dos perfeccionistas, Neymar bateu a falta ideal e fez o gol, aos 27.

Ao sentir a explosão do Maracanã, disse assim “eu estou aqui”, um recado aos alemães de que no 7 a 1 ele não estava no jogo. Em seguida, imitou o raio de Usain Bolt, presente no Maracanã vibrando como um verde-amarelo nativo. Era um sinal de que algo maior estava reservado a Neymar.


No segundo tempo, os alemães arregaçaram as mangas e foram em busca do seu lugar na final Olímpica. Empataram o jogo, com Meyer, aos 14 minutos, e endureceram corações no Maracanã. Certezas se transformaram em angústias. E assim se passaram os segundos e mais segundos até os 30 minutos agônicos da prorrogação e, por fim, os pênaltis.

Aí vem o bendito do destino se ajoelhar aos pés de Neymar. Quando as cobranças estavam 4 a 4, o último pênalti coube a ele. Ajeitou a bola na marca com um leve beijo. Tomou distância, deu uma paradinha e chutou a bola de ouro. Tudo estava consumado.

Agora era por a medalha no peito, ouvir o hino nacional cantado por quase 70 mil pessoas no Maracanã e dar início ao resgate do verdadeiro futebol brasileiro. Que assim seja.

FICHA DO JOGO

Brasil 1 (5) x  1 (4) Alemanha

Gols: Neymar, aos 27 do primeiro tempo; e Meyer, aos 14 minutos do segundo tempo.

Brasil: Weverton, Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Wallace e Renato Augusto; Gabriel (Felipe Anderson), Luan, Neymar e Gabriel Jesus (Rafinha)  . Técnico: Rogerio Micale

Alemanha: Horn, Klostermann, Sünder, Ginter e Toljan; Sven Bender, Lars Bender (Prömel) e Meyer; Brandt, Selke (Petersen) e Gnabry. Técnico: Horst Hrubesch  

Juiz: Alirezean Saghane
Cartões amarelos: Zeca, Gabriel. Selke, Sven Bender, Süle,
Público: 63.707
Local: Maracanã.

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