A culpa que o futebol não tem

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Gabriel Jesus voltou a treinar no Palmeiras nesta terça-feira, três dias após a conquista da medalha de ouro no Maracanã. Levaram o menino de 19 anos, nascido no pobre Jardim Peri, na capital, a dar entrevista coletiva no clube. Inevitável a necessidade de extrair das entranhas do garoto a enorme diferença que separa o futebol de outros esportes no Brasil, dois dias depois do encerramento da Olimpíada do Rio.

Entre outras perguntas, questionaram se sua cabeça está no Palmeiras ou no Manchester City, clube que o comprou a menos de 15 dias pela bagatela de R$ 116 milhões.

Questionaram ainda se ele achava justo o prêmio de R$ 500 mil pago pela CBF a cada um dos jogadores medalha de ouro da Seleção Olímpica de futebol, valor bem mais alto do que o destinado a outros atletas de ouro no judô, canoagem, atletismo, vôlei, valorosos brasileiros também medalhistas nos Jogos do Rio.

Antes de tudo, questionamentos execráveis. Que culpa tem Jesus de ser negociado por pouco menos de R$ 120 milhões? Que culpa tem os jogadores agraciados com o milionário prêmio pago pela CBF aos meninos medalhistas?

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Que culpa tem o futebol por ter levado o ouro nos Jogos do Rio? Como bem diz o ex-jogador Zé Elias, nesta terça-feira no programa Bola da Vez da ESPN ao lançar no ar: Que culpa tem o futebol brasileiro por Pelé ter sido eleito o melhor de todos os tempos, o Rei?

Diz mais o Zé Elias. Quantos daqueles jogadores da Seleção Olímpica não tiveram a mesma origem como teve a judoca Rafaela Silva, nascida na comunidade miserável de nome Cidade de Deus no Rio de Janeiro?

PRO-17

O futebol não tem nada com isso. Os outros esportes olímpicos precisam de atenção de quem vive deles, cabem aí atletas, gestores, governo, patrocinadores, mídia, empresários, torcedores e muitos que não se esfolam no chão e faturam boa grana em cima dessa mazela na pátria das chuteiras.

O futebol não tem culpa por ser o futebol no Brasil. O êxtase de glória naquele sábado à tarde no Maracanã e país afora com a pepita de ouro cavoucada na grama verde não é fruto de um esporte privilegiado. O futebol nasceu como todos os outros esportes, a diferença é a paixão.

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