Luiz Antônio Prósperi – 26 setembro (12h50)

Brasil não precisa de convocar jogadores de fora do país para enfrentar Chile e Peru, jogos das Eliminatórias da Copa 2026 em outubro. Basta formar a Seleção Brasileira com base no Palmeiras, Flamengo e Botafogo e alguns enxertos. Os chamados “caseiros” estão aqui e não precisam atravessar o Oceano Atlântico para se apresentar a Dorival Junior. Os que atuam na Europa sofrem com fuso horário na cabeça. Encaram longa viagem de 12 horas entre países europeus e Brasil. Treinam apenas dois dias antes do jogo contra o Chile, dia 10/10, e mais um deslocamento com 4h30 de voo entre São Paulo e Santiago. Depois embarcam para Brasília, mais 5h de voo.

Cá entre nós, os chamados “europeus” convocados por Dorival jogaram bulhufas até aqui. Nenhum deles, mesmo o aclamado Vini Jr, teriam posse definitiva de um lugar na Seleção.

É hora de uma chance aos “da casa”. Vamos enfrentar as piores seleções das Eliminatórias. Peru ocupa a última posição na tabela e o Chile é o antepenúltimo, ambos com 5 pontos cada um.

Confira essa seleção doméstica, com a maioria de jogadores que atua em clubes brasileiros:

Weverton (Palmeiras), William (Cruzeiro), Fabrício Bruno (Flamengo), Murilo (Palmeiras) e Alex Sandro (Fla); Gerson (Fla), Marlon Freitas (Botafogo) e Raphael Veiga (Palmeiras) ou Mateus Pereira (Cruzeiro); Luiz Henrique (Bota) ou Estevão (Palmeiras), Endrick (Real Madrid) – vaga seria de Pedro (atacante do Fla passou por cirurgia e não joga mais nessa temporada) e Igor Jesus (Botafogo).

Se essa  Seleção dos “domésticos” não der conta de Chile e Peru, então é melhor fechar o futebol brasileiro para balanço e promover uma reforma profunda.

Diz a história do nosso futebol que clubes brasileiros eram a base da Seleção. No fim da década de 50, anos 60 e 70, jogadores de Santos e Botafogo dominavam o escrete. Período mais vencedor do Brasil com três Copas do Mundo conquistadas.

A Seleção Brasileira que encantou o mundo em 1982 era “caseira”, base de jogadores de São Paulo, Flamengo e Atlético-MG. Anote aí:

Valdir Peres (São Paulo), Leandro (Flamengo), Oscar (São Paulo), Luisinho (Atlético-MG) e Junior (Flamengo); Cerezzo (Atlético-MG), Falcão (Roma-ITA), Zico (Flamengo) e Sócrates (Corinthians); Serginho Chulapa (São Paulo) e Éder (Atlético-MG). Técnico: Telê Santana.

Você pode argumentar que o futebol mudou. Que os melhores jogadores do Brasil estão na Europa, arrancados de forma precoce de nossos ninhos quando nem barba têm. A economia, poder dos clubes europeus… Se procurar, vai encontrar justificativas de sobra para preterir os “domésticos” e se render aos “europeus”.

Tudo certo. Agora, presta atenção no detalhe: Clubes brasileiros investiram R$ 1 bilhão em transferências de jogadores na última janela do mercado em 2024.

Repatriamos alguns jogadores que estiveram na Copa de 2022 com Tite. Resgatamos jovens talentos que estavam fora do Brasil em clubes intermediários da Europa. Entupimos nossos times com estrangeiros, não só da América do Sul, mas de países como Suíça, Holanda, Dinamarca, França, Espanha, Irlanda do Norte, Costa Rica, Angola, até então fato raro no Brasil.

Sinal claro de que o futebol brasileiro tem recursos financeiros de sobra – em especial com Tsunami de dinheiro vindo das Bets (apostas esportivas) – e mercado em alta. Fatos que mostram alto nível técnico de nossos times.

No último jogo Vasco 0 x 1 Palmeiras, disputado domingo em Brasília, jogaram 11 “estrangeiros” entre os 32 atletas que atuaram. 

Tudo isso para dizer que os jogadores brasileiros que jogam nos clubes daqui têm concorrência forte dos “gringos” e conseguem jogar com muita qualidade no Brasileirão e Libertadores. A Seleção Brasileira seria uma bênção em suas carreiras. 

Dorival Junior projeta convocar 11 “domésticos”, nessa sexta-feira (27/9), para os jogos contra Chile e Peru. E insistir com Paquetá, Bruno Guimarães, Marquinhos, Danilo… e os que estão em alta lá fora, Raphinha (Barcelona), Savinho (City), trio Real Madrid, Rodrygo, Endrick, Vini Jr.

Programação da Seleção prevê apresentação dos jogadores dia 7/10 em São Paulo, treinos dias 8 e 9 e jogo dia 10 contra Chile em Santiago. Dia 11, delegação embarca para Brasília e enfrenta o Peru, dia 15, no Mané Garrincha.

Os jogadores “europeus” devem viajar 12 horas em voo com destino a São Paulo, a partir do dia 6 de outubro. Passam dois dias em São Paulo, encaram mais 4h15 de voo até Santiago. Jogam na capital chilena e na madrugada do dia 11 embarcam para Brasília, pouco menos de 5h de voo. Três dias depois enfrentam o Peru.

Somando tudo, “estrangeiros” terão pela frente 21 horas de voo em 9 dias, em três viagens seguidas. E dois jogos, em menos de uma semana.

Precisa disso tudo, se temos uma boa Seleção Brasileira formada só por jogadores “domésticos”?

La Nave Va. 


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