Luiz Antônio Prósperi – 14 dezembro (11h10) –
Dudu deixa Palmeiras e coloca fim em dez anos de reinado, idolatria pura. Arrasta uma multidão de fãs incondicionais a protestar, lamentar e a chorar por sua saída do Alviverde. Companheiros de time se pronunciam emocionados em agradecimento ao atacante e seus feitos no Palmeiras.
Gabigol atrai milhares e milhares de torcedores ao Maracanã há uma semana. Maioria dos 60 mil no estádio estava lá para se despedir de um ídolo construído em apenas seis anos no clube. “Agora sou imortal no Flamengo”, disse o artilheiro ao fim de sua passagem no Rubro-Negro.
Por ironia ou acaso, Dudu e Gabigol devem jogar juntos no Cruzeiro em 2025. Se juntam a Cássio, goleiro ícone do Corinthians por pouco mais de 12 anos.
Dudu, Gabigol e Cássio, os três últimos ídolos em atividade no futebol brasileiro. Quem mais?
Difícil encontrar hoje em dia um jogador para se chamar de seu na maioria dos clubes nacionais. A construção da idolatria não se faz de um jogo para outro. É preciso ter identidade com as cores do time, pulsar no ritmo de sua torcida e retribuir no campo a paixão das arquibancadas. É preciso tempo. E dedicação.
Como arrumar tempo de clube se o futebol hoje é negócio, negócio e negócio? Raro, muito raro, encontrar craques acima da média que atuem por pelo menos três a quatro temporadas seguidas em um mesmo clube. Camisas ao vento.
Vasculhem os pavilhões, conversem com os torcedores e pesquisem. Desafio a citar aqui pelo menos um ídolo em atividade no seu time.
Internacional e Grêmio. Por quem os gaúchos morrem de amor?
Palmeiras? São Paulo, talvez Carelli? Corinthians, apaixonados sem convicção por uma temporada boa de Yuri Alberto. Santos? Ninguém.
Flamengo? Fluminense, talvez Thiago Silva que sai do clube há quase duas décadas e volta para encerrar a carreira. Convenhamos, é forçar muito a paixão. Vasco? Ninguém.
E o campeão Botafogo? Fulminante em 2024 e fulgaz na construção de um ícone. Luiz Henrique? Nem bem chegou e já vai embora.
Atlético-MG? Talvez Hulk por bons serviços prestados em quatro temporadas seguidas. Cruzeiro? Ninguém. Daí a busca por Dudu, Gabigol e Cássio.
Bahia? Ninguém. Sport Recife? Idem. Fortaleza? Nada.
Os ídolos desapareceram do futebol brasileiro. Nem mesmo as promessas se tornam realidade. Meninos candidatos a arrastar multidões saem cada vez mais cedo de casa. Endrick e Estevão no Palmeiras confirmam a teoria.
Saudosismo ou não, os últimos idolatrados remontam décadas e décadas passadas. Zico, anos 80 no Flamengo, Rogerio Ceni, anos 90 no São Paulo, Reinaldo, anos 70 no Atlético-MG, Roberto Dinamite, anos 80 no Vasco, Sócrates, anos 80 no Corinthians, Marcos, anos 90 no Palmeiras. Tudo isso para ficar em alguns expoentes do estrelato.
Poderia citar mais nomes nessa breve lista dos que arrebanhavam corações nos estádios e encantavam milhares de torcedores mundo afora. A maioria vem de um passado não muito recente.
Difícil é encontrar um novo Dudu. Idolatria não se compra por milhões de euros. Nem se forja por desejo de um dirigente ou de um empresário. É preciso conquistar a alma e jogar bola, muita bola. Qual cidadão comum vestirá a camisa 7 do Palmeiras sem o nome Dudu nas costas?





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