Luiz Antônio Prósperi – 22 fevereiro (09h45) –
Endrick e Vitor Roque viviam a certeza de jogar na Europa ao completarem a maioridade. Vitor, um ano mais velho, chega em 2023 no Barcelona. Endrick, um ano depois, desembarca no Real Madrid. Seriam astros precoces nos lendários clubes espanhóis. Um desafiando o outro na quantidade de gols marcados. Efeito imediato, disputariam a camisa 9 da Seleção Brasileira. Menos de dois anos depois, os meninos estão sem rumo nos labirintos do milionário futebol europeu.
Enredo dos sonhos de garotos começa a ser desfeito. Endrick, 18 anos, esquenta o banco na maioria dos jogos do Real Madrid. Quando chamado por mister Ancelotti, tem escassos cinco a três minutos no fim dos jogos a exibir seus dotes. Vitor sem espaço no Barça pula de galho e vai emprestado ao Betis.
Na vitória (3 a 1) do Real em cima do Manchester City de Guardiola, no mata-mata da Champions, quarta-feira (19/2), o ex-geniozinho do Palmeiras acompanha da reserva os três gols de Mbappé. E quando o chefe o convoca a entrar no jogo, o árbitro ja estava com apito na boca para encerrar a partida. Endrick entra, nem toca na bola, e ouve bem de perto o apito final.
Tem sido assim nos últimos embates do Real Madrid na LaLiga (Campeonato Espanhol), Champions League e Copa do Rey. Escassos minutos de jogo. Quando entra mais cedo, Endrick contribui com gols decisivos quase sempre espetaculares.
Não era o mundo que Endrick imaginava no Real. Por isso a boataria na Europa dá conta de uma possível transferência do clube espanhol ao Arsenal da Inglaterra.
Tudo o que Endrick quer é jogar mais tempo. Sair do anonimato imposto por Ancelloti.
Vitor Roque, 19 anos (completa 20 dia 28 fevereiro) enfrenta drama parecido. No Barcelona, mal joga. Xavi Hernandez, seu primeiro treinador, não enxerga qualidades do centroavante com patente de Barcelona. Seu sucessor, o alemão Hansi Flick, também encosta o brasileiro.
Sem espaço no Barça, Vitor se transfere por empréstimo ao Real Betis. Ali, certeza absoluta, seria o dono do ataque e faria a multiplicação dos gols.
Seis meses depois, Betis procura outras soluções à linha ofensiva. Contrata até Antony, ex-titular de Tite na Copa do Mundo 2022, do Manchester United. E reduz os minutos de Vitor no ataque. Betis ainda pega Cucho Hernández e obriga Vitor a virar reserva.
Até por isso, a quase certa negociação em curso com o Palmeiras daria um novo destino à carreira de Vitor.
Ocuparia o lugar que até julho de 2024 pertencia a Endrick.
Caminhos dos meninos se cruzariam mais uma vez. De gênios precoces no Brasil a objetos de segundo plano nas duas potências da Espanha. Vitor engata caminho da volta. Endrick à procura de uma casa nova.
Endrick custou cerca de 72 milhões de euros (R$ 408 milhões, na cotação da época) ao Real Madrid, comprado do Palmeiras no final de 2022. Contrato válido até 2030.
Vitor Roque saiu por 74 milhões de euros (R$ 394,8 milhões, cotação no ato da venda) ao Barcelona, contratado do Athlético-PR em dezembro de 2023. Contrato válido até 2031.
Pelo andar da carruagem, os dois estão bem longe de disputar a camisa 9 da Seleção Brasileira. Correm em busca do tempo perdido para chegar aptos a vestir amarelo na Copa do Mundo 2026.
Eles dois são muitos novos. Engolidos na roda-gigante da grana dos europeus, giram na ilusão do futebol. Lá em cima, depois lá embaixo. Sem sair da cadeirinha de balanço.





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