CBF envia denúncia à Conmebol pedindo punição aos torcedores e exclusão do Cerro Porteño da Libertadores Sub-20
Presidenta Leila Pereira diz que vai recorrer até a Fifa se a Conmebol não reagir. E quer autor do crime racista na cadeia
Luiz Antonio Prósperi – 7 março (14h05) –
Leila Pereira, presidenta do Palmeiras, vai até última instância para que se puna os criminosos dos atos racistas contra o atacante Luighi, 18 anos. E ainda pedir a exclusão do Cerro Porteño, do Paraguai, das competições sul-americanas. Pelo menos foi o que ela afirmou em entrevista coletiva nessa sexta-feira (07/3).
“A punição que estamos pensando é para o clube Cerro Porteño. Está nas mãos dos nossos advogados, que estão trabalhando. Tentei falar com o presidente da Conmebol e não consegui. Não ia comentar isso, mas achei desagradável. A Conmebol está sendo muito displicente. Não consegui falar com o presidente Alejandro Dominguez … Se não resolvermos na Conmebol, resolvemos na Fifa. Se eu não consigo falar, nosso departamento vai tomar as medidas” – Leila Pereira
CBF PEDE EXCLUSÃO DO CERRO PORTEÑO
Confira nota oficial:
A CBF enviou nesta sexta-feira (7/2) denúncia à Conmebol pedindo a punição dos torcedores e a exclusão do Cerro Porteño, do Paraguai, da Libertadores Sub-20.
O documento de 29 páginas elaborado pelas Diretorias Jurídica e de Governança e Conformidade da CBF cobra tolerância zero contra atos discriminatórios e exige severa punição esportiva aos torcedores e ao clube paraguaio. A entidade ainda alega que o protocolo global da FIFA contra racismo não foi cumprido pela arbitragem. Para a CBF, o racismo é um crime que fere a dignidade, a integridade e os princípios fundamentais do esporte e deve ser punido com penas que impactem fortemente os responsáveis.
“O que a gente espera da Conmebol é rigor. Basta de racismo e de multas que não levam a nada. Queremos punições esportivas”, declarou o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.
Figueiredo durante o jogo entre Palmeiras e Cerro Porteño, Libertadores Sub-20 – foto: Fabio Menotti / Palmeiras oficial
“O futebol deve ser espaço de igualdade e respeito. Por isso, a punição do Cerro Porteño e dos envolvidos não é apenas uma necessidade jurídica, mas uma obrigação moral e institucional, para que o combate ao racismo deixe de ser um discurso vazio e passe a ser uma realidade concreta”, escreveram os diretores da CBF no documento.
Na denúncia, a CBF argumenta, ainda, que o futebol sul-americano carrega um histórico de impunidade em relação a atos racistas e que as sanções aplicadas são, na maioria das vezes, insignificantes para coibir novas ocorrências. “Frise-se que a esmagadora maioria das vítimas advém do solo brasileiro”, reforça a denúncia.
Cópias dos documentos foram enviadas para os presidentes da FIFA, Gianni Infantino, e da Conmebol, Alejandro Domínguez.
O combate ao racismo é uma das prioridades da CBF, a primeira confederação a implementar punição desportiva em seu Regulamento Geral de Competições para casos de racismo.
Na quinta-feira (6), o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, já havia manifestado sua solidariedade:
“É chocante assistir cenas como essas. Racismo é crime e deve ser combatido por todos. Sei do tamanho da dor sofrida pelo Luighi. Basta de racistas no futebol. A CBF vai representar na Conmebol pedindo punições enérgicas”, afirmou Rodrigues, após a partida entre Palmeiras e Cerro Porteño. Ele é o primeiro presidente negro e nordestino a comandar a entidade.

BASTIDORES DO ATAQUE RACISTA A LUIGHI
Acompanhe depoimento de João Paulo Sampaio, diretor das Categorias de Base do Palmeiras:
“Primeiro a gente acolheu para que ele se acalmasse. Claro, a gente começou a reivindicar também com a própria polícia e com o terceiro árbitro, mas o próprio banco do Cerro estava indo contra, querendo que mirasse para o jogo e tentando entender que aquilo era normal. E que é normal no país, eles acham que é uma provocação. Na lei de 27/11 do ano passado, de 2024, o presidente Santiago Penha (do Paraguai) ele fala só em prevenir, aqui (no Paraguai) não é crime, não tem sanção dura, principalmente em ser um crime como é no Brasil.

Parabéns pelo posicionamento, mano. É triste, mas fique forte. Vamos juntos nessa luta. Até quando, Conmebol? Vocês nunca fazem nada. Nunca!” – Vini Jr
Abandonar a Libertadores Sub-20
Se a gente abandona o campo ou se a gente retira a equipe, podia acontecer a mesma coisa que aconteceu com o Bruno Tabata (ex-jogador do Palmeiras), contra a mesma equipe (San Lorenzo), no mesmo país, e o Tabata que foi punido. E o mais importante, eles não vão vencer. Eles não serão mais fortes que nós. A gente ia perder a oportunidade, porque com certeza se acontece isso a transmissão, que é da Conmebol, não ia ter a oportunidade de ouvir Luighi e foi devido a essa fala, a essa emoção que isso reverberou no mundo todo. Não pode ser comum. Essa pessoa já foi identificada, vamos ver, mas no país não é crime, então a gente tem que esperar.
Indiferença no Paraguai
A gente não viu ainda nenhum veículo, nem comentários no hotel ou no país sobre o assunto. Como eu disse, procurei me informar se era uma lei ou um crime. Eu sei que tem uma fala do presidente falando em prevenir, em tentar inserir, principalmente a pessoa de cor diferente, de raça, na sociedade paraguaia, mas só em prevenir. Não se fala em nenhuma sanção forte ou em crime, como é no Brasil, então aqui hoje não teve nenhuma repercussão pelos meios, a não ser a carta da Conmebol respondendo no próprio site.

Palmeiras Cobra CBF e Conmebol
Nossa presidente, Leila Pereira, ontem ligou para o presidente da CBF, ligou para o presidente da Conmebol, ela ficou muito revoltada ontem. Qualquer tipo de discriminação, independente do racismo, ela é muito ruim. A presidente, por ser mulher, ela já passa por isso também em algumas situações, eu já passei por isso. Quando eu cheguei em São Paulo, sou nordestino e tive aquele primeiro olhar de diferença. “Será que ele vai conseguir aqui?” O que aconteceu com o Vini quando ele chegou também lá. Só que você vai ganhando prestígio na área profissional e sua voz vai tendo mais força para você conseguir combater qualquer tipo de discriminação.
Ação da Família de Luighi
Ligaram para os pais de Luighi, para o pai e para a mãe. A mãe estava bem chocada, chorando, mas falaram com os pais de Luighi, mas estão cobrando tanto da Conmebol como da CBF a punição ou a atitude mais firme. Mas isso ontem à noite, a diretoria toda do Palmeiras foi bem presente para que a gente primeiro acolhesse o atleta e a família dele, mas depois cobrasse as autoridades responsáveis.

Meninos mais Fortes
Fiquem com a certeza de que isso nos deu mais força na oração deles ontem. Isso é o que eu falei, eles não vencerão, os racistas não vencerão, porque do outro lado tem pessoas que irão ser resistentes e mais fortes do que eles. E os meninos ontem, foi de emocionar a oração, a gente agora vai com tudo. Já estamos classificados para semifinal e com mais força para ir em busca desse título para o Palmeiras e para o Brasil. Mas, acima de tudo, esperando que tenha uma punição severa aos culpados”.






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