Conmebol, com ridícula punição ao Cerro Porteño, antecipa salvo-conduto a criminosos racistas no Paraguai
Palmeiras anuncia que vai recorrer à Fifa pedindo sanção mais severa ao Cerro Porteño
Luiz Antônio Prósperi – 9 de março (16h48) –
Cerro Porteño é multado em 50 mil dólares (R$ 288 mil) – a ser pago em 30 dias –, terá portões fechados em jogos da Libertadores Sub-20 e será obrigado a cumprir campanha educativa contra racismo em suas redes sociais. Esta é a punição da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) ao clube paraguaio no crime de racismo sofrido por Luighi, do Palmeiras. Ridículo, para não dizer uma provocação ao garoto, Palmeiras, CBF, Fifa e até o governo brasileiro.
Conmebol, com essa punição, manda um recado claro às instituições do futebol brasileiro: que se lixem com os ataques de racismo, não temos a menor boa vontade em resolver esse problema.
Indignado diante da covardia da Conmebol, Palmeiras anuncia que vai recorrer à Fifa pedindo sanção mais severa ao Cerro Porteño.
A Fifa ainda não se pronunciou, após presidente Gianni Infantino prestar solidariedade a Luighi na sexta-feira (07/3).
CBF, até domingo (09/3), também nada disse a respeito da punição da Conmebol imposta ao Cerro Porteño.
Cerro Porteño, no centro do crime racista cometido por seus torcedores, se limita a pedir desculpas ao Palmeiras enviando uma carta ao clube paulista.
E Luighi volta a jogar neste domingo (09/3), 19h, contra o Independiente Del Valle, do Equador, na última partida do Palmeiras na fase de grupos da Libertadores Sub-20. Time paulista está clasificado ao mata-mata.
O garoto vai entrar em campo com a certeza de que pode sofrer novo ataque racista no Estádio Gunther Vogel, em Assunção, Paraguai.
A Conmebol, com ridícula punição ao Cerro Porteño, antecipa salvo-conduto a criminosos racistas paraguaios.
Confira nota oficial do Palmeiras:
“A Sociedade Esportiva Palmeiras discorda com veemência das punições extremamente brandas aplicadas pela Conmebol ao Cerro Porteño-PAR em razão dos ataques racistas sofridos por nossos atletas em jogo disputado pela Libertadores Sub-20, na quinta-feira (6), em Assunção, no Paraguai – diz parte da nota.
Com exceção da medida educativa adotada (campanha antirracista nas redes sociais do clube infrator), tratam-se de penas inócuas diante da gravidade dos fatos ocorridos e, portanto, insuficientes para combater os reiterados casos de discriminação racial no futebol sul-americano.”
As sanções ao Cerro Porteño, em vez de servirem ao propósito de coibir um problema seríssimo, na prática demonstram a conivência das entidades com um crime que vem se repetindo incessantemente, bem como a falência de um sistema penal incapaz de punir com o rigor necessário os crimes de racismo cometidos dentro de campo e nas arquibancadas.
O Palmeiras reitera que acionará as entidades máximas do futebol mundial e levará o episódio às últimas instâncias para que o futebol sul-americano possa, enfim, tornar-se um ambiente de tolerância zero ao racismo.





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