Torcida do West Ham mostra ao mundo como se ama o futebol

 

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Torcedores do West Ham ensandecidos na despedida do estádio

Torcedores do West Ham se despediram do Boleyn Ground com o que há de mais essencial no futebol inglês. Desde as primeiras horas da tarde, desta terça-feira (10/5), tomaram conta do Upton Park, bairro onde está incrustado o estádio do West desde 1904. Eles não estavam ali para mais um jogo do seu time no Campeonato Inglês. Foram lá dar o adeus a um templo histórico que dará lugar a um conjunto habitacional. No fim desse conto, alegria e dor se misturaram à celebração da vitória do West Ham por 3 a 2 contra o Manchester United, no jogo que, para eles, nunca mais vai acabar.

Por essa causa, uma paixão imorredoura, eles entupiram as ruas com cânticos e um tsunami de cerveja. Apresentaram o cartão de visitas na recepção do ônibus do Manchester United, com pedradas e vandalismo – a partida teve de se adiada em 1h. Quem não conhece a paixão dessa torcida pelo West Ham, pode ter uma noção no filme Hooligans, do diretor Lexi Alexander, de 2005.

Os torcedores deram o recado que ali mandava o West Ham. E foram embalar o time com uma vibração intensa durante os 90 minutos, em meio inocentes bolhinhas de sabão flutuando pelo estádio, uma marca registrada do West.

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Recepção dos torcedores do West ao ônibus do Manchester United

Dentro do estádio, todos os torcedores ficaram alucinados. Não havia espaço para bom comportamento. Deveriam pular, vibrar como malucos e cantar o hino com as bolhas de sabão. Cada minuto no Boleyn Ground deveria ser aproveitado como se fosse uma vida.

Esse entusiasmo crescente a cada segundo, explodiu quando Sakho fez o primeiro gol do jogo, aos 9 minutos. Dali para frente, só o West Ham  apareceu. Encantoou o Manchester no seu território e teve pelo menos duas chances limpinhas para fazer mais dois gols. Desperdiçou as oportunidades e foi para o intervalo do primeiro tempo com a sensação de que poderia ter liquidado a fatura.

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Sakho comemora o primeiro gol do West

Eufóricos, diria ensandecidos, os torcedores do West começaram a depredar setores internos das arquibancadas. Um vandalismo contra o próprio patrimônio que dali para frente não seria mais deles.

Na volta do segundo tempo, continuaram cantando as bolhas de sabão e estremecendo o estádio. Dentro de campo, o West deu uma brecha e Martial empatou, logo aos 6 minutos. Um castigo aos devotos torcedores. E seriam ainda mais torturados com o segundo gol, o da virada, de Martial, aos 27 minutos.

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Carro luta por um gol do West

Nas arquibancadas do velho Upton Park, mesmo sofrendo, os torcedores insistiam com seus cantos. E a casa quase caiu de novo, com o gol de empate de Antonio, aos 31. Mas, o mundo veio abaixo naquele pedaço de Londres com o gol de Reid, aos 36: West 3 a 2 United.

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Reid festeja o seu gol que deu a virada ao West Ham

Consumada a virada, o tempo era para celebrar a despedida do estádio e conter o United até o fim. Não havia mais limites para alegria nas arquibancadas. Lágrimas e júbilo. O jogo acabou. Então as bolhas subiram como nuvens no Boleyn Ground. E ainda rolou “Twist and Shout” dos Beatles, cantada por cerca de 31 mil torcedores. Ninguém queria arredar pé dali.

No fim da história, essa torcida magnética vai ter de trocar a velha casa de 35 mil lugares, tão aconchegante nesses últimos 112 anos, por uma moderna, com capacidade para 60 mil torcedores, erguida há quatro anos. Essa gente agora vai ter de construir uma nova história, num lugar distante de onde tudo começou.