O que muda na Seleção Brasileira com a troca de Dunga por Tite

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Marco Polo Del Nero repete com a demissão de Dunga e seus assessores, confirmada na tarde desta terça-feira (14/6), a mesma prática de seus antecessores. Diante de fracassos contundentes e desastres da Seleção Brasileira, manda o treinador embora e o substitui por aquele que é, no momento, unanimidade nacional.

Nada mais óbvio então do que nomear Tite, adorado pela maioria da mídia, patrocinadores da CBF e gente graúda que paga uma fortuna pelos direitos de transmissão do futebol na televisão. Sem falar nos quereres da torcida.

Não por acaso, a maioria das enquetes dos últimos dias apontava em direção de Tite no lugar de Dunga. O treinador do Corinthians liderou todas as pesquisas na preferência dos torcedores brasileiros.

Del Nero, evidente, não iria em outra direção. Aliás o presidente da CBF não poderia contrariar nenhum interesse na órbita da Seleção. Encrencado com a Justiça dos Estados Unidos e alvo da famigerada CPI do Futebol no Senado do Brasil, Del Nero precisa de apoio . Tite é a melhor resposta que tem a dar aos que o criticavam por insistir com Dunga.

Por isso, na reunião que teria nesta noite de terça-feira com Tite, Del Nero assinaria tudo o que o treinador do Corinthians exigir. O presidente da CBF não gostaria em hipótese alguma ouvir um NÃO de Tite.

img_1348_1Feito o papel político da troca de treinadores no escrete, vale a pena discutir o que realmente está em jogo no futebol brasileiro. E aí é inevitável falar do tempo perdido pela CBF após o 7 a 1. Se esperava por uma reforma profunda e não apenas demitir Felipão e resgatar Dunga das profundezas.

Nada foi feito. Se apostou em um treinador fracassado, em assessores do porte do Cebola (qual é o currículo deste cidadão?) e no agente de jogadores Gilmar Rinaldi.

Do famoso leque de opções ruins à disposição da CBF naquele momento pós 7 a 1, a entidade optou pelo pior possível.

dungaCom a queda anunciada de Dunga, Del Nero e seus imediatos, a maioria políticos sem estofo para lidar com o futebol, deveriam pensar algo grandioso. Quem sabe formar um colegiado de notáveis e dali se tirar um nome de consenso para comandar a Seleção, e já com um primeiro auxiliar nomeado para tocar o escrete depois da Copa de 2018.

Del Nero não tinha tempo para pensar nessa hipótese, até porque ele mesmo tem de escalar a vala do fundo do poço em que se meteu.

Por isso vai aceitar de muito bom grado Tite e sua comissão técnica, com auxiliares sem a menor vivência de Seleção e quilometragem internacional. Uma fórmula usada com Mano Menezes, que tinha a seu lado Sidney Lobinho (Lobinho, quem?) – um rotundo fracasso.

FILOSOFIA TITE
O que esperar de Tite na Seleção? Sinceramente, nada de novo. Ele é adepto do pragmatismo no futebol, aqueles que jogam apenas em função do resultado. Por isso colecionou títulos importantes e liderou estatísticas nessas conquistas.

Com exceção da torcida do Corinthians, quem se encantou com o futebol praticado pelo time paulista nos últimos anos?

Vamos ter uma equipe organizadinha, com as famosas linhas em sintonia, corretas, um vai  vai-e-vem como a maioria das seleções européias fazem à perfeição.

A seguir a cartilha do pensamento de Tite, o improviso do drible e o faz de conta, marcas registradas do nosso futebol, vão ficar em segundo plano. Seremos mais europeus possíveis e vamos beber na fonte do técnico Carlo Ancelotti, adorado por Tite.

Carlo-Ancelotti
Ancelotti, um ídolo de Tite no futebol

Tite esteve com Ancelotti no seu ano sabático em 2014. Aprendeu com ele que um time quando tem de atacar, ataca, quando tem de defender, defende. Ousadia é um conceito proibido nos times do italiano.

Muitos dirão que Ancelotti responde com títulos por onde passa. Só da Champions League tem três taças (duas com o Milan e uma com o Real Madrid). Tite também tem conquistas memoráveis com o Corinthians. Falta a graça.

A receita é a mesma: futebol pragmático, muitas vez na base do “tudo por uma bola”. Tem quem goste. A Seleção Brasileira já foi campeã do mundo jogando assim e não deixou saudade.

NEYMAR ARREPENDIDO
A troca de comando da Seleção já teve efeito imediato em Neymar. O craque desembarcou nesta terça-feira em São Paulo e, poucas horas, depois publicou na sua conta no Instagran um pedido de desculpas por ter chamado jornalistas de babacas e outros palavrões.

Veja o que ele disse no pedido de desculpas:

neymar

A principal missão do novo treinador da Seleção será enquadrar Neymar. O craque não pode se sentir o messias do escrete. Tem de jogar com a mesma humildade como faz no Barcelona. Emprestar seu talento e desfrutar do futebol. Só isso.

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