Palmeiras usa suas torres na virada em cima do São Paulo e agrava crise do rival

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Palmeiras sofreu mais do que se esperava para derrotar o São Paulo por 2 a 1 no clássico nesta quarta-feira no Allianz Parque. O adversário em crise técnica, política, sem paz e com desfalques sugeria uma presa fácil. Nada disso. Se não incomodou no primeiro tempo, no segundo deu muito trabalho ao sair na frente e só levou a virada em dois gols de bola parada com as torres Mina e Vitor Hugo.

A vitória reforça a confiança do líder em busca da taça, mesmo perseguido de perto por Atlético-MG e Flamengo, e leva o São Paulo à UTI, seriamente ameaçado de entrar na zona de rebaixamento. Antes mesmo da derrota, o clube demitiu o diretor de futebol Gustavo Oliveira, um dos responsáveis pela formação desse time. A situação é crítica.

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O líder controlou o primeiro tempo. Em nenhum momento correu grandes riscos. Chegou à zona de gol, mesmo diante de um amontoado de jogadores do São Paulo, mas não provocou nenhum susto ao goleiro Denis. Sobrou disposição, faltou inteligência.

Moisés e Tchê Tchê, os condutores do meio-campo, pouco participaram do jogo. Dudu se enroscou na armação e não jogou aberto na esquerda. E Allione, surpresa de Cuca na escalação, não conseguiu cumprir a função de atacante pela direita e muito menos na articulação. Na sua conta havia mais débito do que créditos.

Contra o líder, dono da casa e torcida única, o São Paulo seguiu a cartilha dos times pequenos. Juntou todos volantes que tinha à disposição e congestionou a entrada da área. Em nenhum momento fez a transição correta do meio ao ataque. Apostou no contra-ataque com bolas esticadas a Kelvin no setor direito e se esqueceu de Luiz Araújo na esquerda. Um time previsível.

Palmeiras v Santos - Brasileirao Series A 2016
Mina celebra seu gol no clássico contra São Paulo – Foto: Getty Images

Não fosse apenas a pobreza tática, perdeu ainda dois defensores – Rodrigo Caio e Carlinhos saíram machucados – no fim da primeira parte do jogo. Duas substituições que Ricardo Gomes foi obrigado a queimar.

No segundo tempo, o São Paulo surpreendeu com o gol de Chávez, aos 3 minutos, em jogada de Kelvin pela ponta-esquerda. Nesse momento, Cuca chamou Gabriel Jesus. Era uma resposta à nova postura do Tricolor, que, diferente do primeiro tempo quando estava acuado, havia avançado suas peças.

Jesus entrou e o Palmeiras empatou com Mina, de cabeça, em cobrança de falta de Dudu. O garoto fez o time correr mais, e com requinte. Criou alguns embaraços na defesa do Tricolor. O líder passou a ter algo mais no ataque e a pressionar.

Tamanho volume ofensivo deu origem ao escanteio batido por Dudu na cabeça de Vitor Hugo: 2 a 1, aos 25. Diminuía a tensão na arena. O São Paulo sentia o baque do segundo gol e o líder ainda buscava o terceiro gol. Jesus por pouco não marcou, em lançamento de Dudu, mesmo tendo jogado 85 minutos na Seleção na noite anterior, embarcado nesta quarta ao meio-dia em Manaus e desembarcado às 16 em São Paulo.

Nos minutos finais, o time de Gomes apertou o cerco, mas não empatou. A vitória de virada foi de extrema importância ao Palmeiras na corrida ao título. Atlético-MG e Flamengo haviam vencido e continuam colados no líder. Quanto ao São Paulo, a zona de rebaixamento está logo ali.

FICHA DO JOGO

Palmeiras 2 x 1 São Paulo

Gols: Chávez, aos 3; Mina, aos 10; Vitor Hugo, aos 25 minutos do segundo tempo.

Palmeiras: Jailson, Jean, Mina, Vitor Hugo e Zé Roberto; Gabriel (Cleiton Xavier), Tchê Tchê e Moisés (Thiago Santos); Allione (Gabriel Jesus), Rafael Marques e Dudu. Técnico: Cuca

São Paulo: Denis, Wesley, Maicon, Rodrigo Caio (Lyanco) e Carlinhos (Mena); João Schimidt, Hudson e Thiago Mendes; Kelvin, Chávez e Luiz Araújo (Daniel). Técnico: Ricardo Gomes

Juiz: Sandro Meira Ricci
Cartões amarelos: Gabriel, Chávez, Mina, Mena, Jean, Lyanco
Renda: R$ 2.742.012,60
Público: 39.944 pagantes
Local: Allianz Parque

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