Atletiba vence a Globo e perde receitas

A resistência de Atlético-PR e Coritiba contra a TV Globo é um sucesso nas redes sociais e, em contrapartida, um fracasso nas receitas dos dois clubes. Essa história pode se repetir no domingo (30/4), no primeiro Atletiba decisivo do Campeonato Paranaense. O clássico às 16h não terá transmissão pela televisão (Globo) e poderá ser acompanhado no YouTube e Facebook, uma forma que os clubes encontraram para que os torcedores possam ter acesso ao jogo.

Toda essa história de rebelião começou quando Atlético e Coritiba não concordaram com a proposta da Globo de pagar R$ 1,5 milhão para cada um pelos direitos de todas as partidas no Campeonato Paranaense 2017 – uma queda em comparação a 2016 em que os clubes receberam R$ 2,2 milhões. Sem a Globo, os dois principais clubes do Paraná se uniram e ofereceram o clássico ao YouTube e Facebook. Decisão que incomodou, e muito, a Federação Paranaense e a emissora. A entidade vetou a transmissão do jogo nas redes e a partida, que seria disputada num domingo (dia 19/2) às 16h, foi transferida para 20h de Quarta-Feira de Cinzas (01/3).

Mesmo em uma data ruim para jogos de futebol, aquele Atletiba virou um símbolo de resistência dos clubes à Globo.Os números da transmissão divulgados pelas duas redes sociais foram avaliados como um sucesso pelas duas agremiações e analistas de mercado eletrônico. No YouTube, o Atlético teve 455 mil vizualizações e o Coritiba, 224 mil. No Facebook, 1,2 milhão ao Furacão, e 773 mil ao Coxa.

Os dois clubes celebraram ainda a chegada de mais de 40 mil novos assinantes em seus canais de YouTube, com a transmissão do Atletiba. É em cima desses números que os dirigentes das agremiações trabalham para buscar novas receitas. A conta que fazem é simples: quanto mais assinantes, mais atraentes ficam seus canais nas redes e aos olhos dos anunciantes. É como se fosse semear agora para colher frutos num futuro próximo.

Por enquanto, essa equação aponta um prejuízo aos clubes. Por isso, o Atlético pensou em cobrar R$ 10 para quem quisesse se registrar no YouTube para acompanhar o clássico neste domingo. A ideia não vingou. O Facebook também teria feito uma proposta de exclusividade aos dois clubes para mostrar o clássico apenas na sua rede. Como os clubes tiveram uma receita de apenas R$ 25 mil do Face no jogo disputado na Quarta-feira de Cinza (em março), não aceitaram a proposta de exclusividade agora.

Ao torcedor a “gratuidade” para acompanhar o Atletiba na Internet custa o preço médio de um ingresso. Cálculos de analistas indicam que os 90 minutos de um jogo consomem cerca de 1,5 Giga nos smartphones. Valores praticados pelas operadoras de celular mostram que esse consumo custa em média de R$ 45 a R$ 50, dependendo da operadora que o usuário contrata no Paraná, segundo informou a Gazeta do Povo. Esse dinheiro vai para o caixa das operadores e não chega um centavo aos clubes.

(leia mais de futebol no CHUTEIRA FC)

Veja o ranking digital dos clubes brasileiros no mês de abril, conforme dados levantados pelo Ibope/Repucom:

Veja comparação de receitas de Atlético-PR e Coritiba no infográfico do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba:

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