Corinthians vira página de Tite e entrega a vitória a Cristóvão Borges

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Corinthians não tem tempo a perder nem a lamentar a saída de seu mentor das últimas temporadas. Seu norte é virar a página, repensar estratégias e pedir passagem neste Campeonato Brasileiro. Vencer a todo custo surge como primeira obrigação. Por isso, na segunda partida sem Tite, teria de derrotar o Botafogo no Itaquerão como uma resposta imediata às cobranças do futuro que começa nesta segunda-feira com a chegada de Cristóvão Borges.

A vitória aconteceu, 3 a 1, mesmo sem a autoridade dos tempos de Tite, mas com peso suficiente para acalmar a torcida, que andava contrariada com as últimas derrotas. Sem falar que a maioria deu sinais de rejeição à aposta em Cristóvão. Torcedores estavam preocupados com uma possível desorganização do time.

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Tite recebe homenagens do Corinthians antes do jogo e se emociona

ANÁLISE DO JOGO 

A Fiel tinha motivos para se preocupar. A desestruturação do Corinthians ficou evidente no primeiro tempo. Da saída de bola com Bruno Henrique e Rodriguinho à omissão dos laterais, nada funcionou. Na linha de frente, Marquinhos Gabriel, Romero e Lucca não se moveram. Cada um guardou posição, facilitando, e muito, o trabalho dos zagueiros do Botafogo.

A imagem era de um time órfão, desorientado. Nem a insistente repetição das triangulações, marca registrada de Tite, se percebeu. A diferença entre o modelo do treinador que foi embora e a deste confronto com o Botafogo era como a do dia com a noite. E nem faz tanto tempo assim que as coisas mudaram, uma semana se tanto.

Uma sensação de que os jogadores tinham tudo decorado, na ponta da língua há mais de dois anos, mas, como o professor teve de abandonar a turma, os alunos se esqueceram do que aprenderam.

Chamou a atenção o descompromisso de Guilherme, o principal articulador do Corinthians.

Do lado do Botafogo, uma ousadia ao adiantar a marcação sem se intimidar com o colosso do Itaquerão. Atitude que incomodou o dono da casa e deixou o jogo favorável ao time carioca, mesmo após levar o gol de Bruno Henrique.

Sofreu o gol e emplacou o empate em chute de Leandrinho em falha terrível de Cassio. E poderia ter virado o jogo, em dois lances agudos – Neilton errou em um, e a trave salvou o Corinthians em chute de Gervásio.

No segundo tempo, Cássio ficou nos vestiários – sentiu mal. Caíque, 20 anos, o quarto goleiro, se viu obrigado a entrar – Walter está machucado e Vidotto se recupera de cirurgia. Antes de Caíque ser acionado, Marquinhos Gabriel, mais ativo, fez o segundo gol do Corinthians.

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O gol de Marquinhos restabeleceu a hierarquia no Itaquerão. O time voltou ao normal, as peças começaram a se conectar. Havia mais sintonia. Guilherme foi sacado e deu lugar a André. Uma mudança para tentar o terceiro gol. O Botafogo sentiu o golpe e pouco incomodou o garoto Caíque.

A três minutos do final, Bruno Henrique fez o terceiro gol. O Corinthians dava o primeiro passo nessa nova vida sem o seu mentor. Agora a conversa é com Cristóvão Borges.

 

FICHA DO JOGO

Corinthians 3 x 1 Botafogo

Gols: Bruno Henrique, aos 23, Leandrinho, aos 27 minutos do primeiro tempo;
Marquinhos Gabriel, aos 7; e Bruno Henrique, aos 43 minutos do segundo tempo;

Corinthians: Cássio (Kaique França); Fagner, Balbuena, Pedro Henrique e Uendel; Bruno Henrique, Rodriguinho (Willians), Marquinhos Gabriel, Guilherme (André) e Lucca; Romero. Técnico: Fábio Carille

Botafogo: Sidão; Luis Ricardo, Renan Fonseca, Emerson Silva e Diogo Barbosa; Fernandes, Bruno Silva, Gervasio Núñez (Victor Luis) e Leandrinho (Salgueiro); Neilton e Sassá (Ribamar). Técnico: Ricardo Gomes

Juiz: Rodolpho Toski Marques (PR)
Cartões amarelos: Balbuena e André (Corinthians); Fernandes e Victor Luis (Botafogo)
Público: 34.747 pagantes
Renda: R$ 2.023.396,50
Local: Itaquerão.

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