Itaquerão não corre risco de cair, diz empreiteira Odebrecht

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Este Blog do Prósperi contou em post publicado na terça-feira (01/11) como nasceu a Arena Corinthians, inaugurada em maio de 2014. História necessária para entender a enorme pressão política na construção de um estádio por uma empreiteira atolada na Operação Lava Jato. Necessária ainda a partir da informação publicada pelo jornalista Juca Kfouri na Folha de S. Paulo (edição de 01/11) dando conta de problemas estruturais no estádio, em especial com o vazamento de 10,1 milhões de litros de água que poderia comprometer a arena. No mesmo dia, Roberto Andrade, presidente do Corinthians, afirmou que se risco houvesse aos torcedores o estádio seria interditado de imediato. Nesta quarta-feira (02/11), enfim, a Odebrecht, responsável pela construção do estádio, emitiu nota oficial dando garantias que o Itaquerão não corre risco de cair.

Veja o comunicado da Odebrecht na íntegra:

‘A Construtora Norberto Odebrecht, em face de notícias sem fundamentos sobre a construção da Arena Corinthians, vem esclarecer que sempre prezou pela qualidade dos seus trabalhos, utilizando as melhores e mais modernas técnicas construtivas em todos os seus negócios, não só no Brasil como em mais de 20 países onde tem presença.

A Arena, inaugurada em maio de 2014, sediou com sucesso grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo 2014 e jogos da Olimpíada 2016. Ao longo destes dois anos e meio de operação, dezenas de partidas de futebol e diversos outros eventos foram realizados, sem oferecer qualquer risco aos usuários.

Tanto que o estádio possui alvará de funcionamento e todos os demais laudos de segurança necessários a sua operação, emitidos pelos órgãos públicos que fiscalizam periodicamente as instalações locais, não apontam nenhuma restrição. 

Quanto às inconsistências do noticiário recente, vale apontar que:

– O referido vazamento de água constatado pela Sabesp ocorreu no início de 2015 e não tem relação com a erosão ocorrida um ano depois no estacionamento.

O vazamento, de 2015, foi devido a um problema detectado em um registro localizado dentro de uma caixa de passagem, que fez a água escoar por uma tubulação de esgoto, instalada no mesmo local. Ou seja, não houve infiltração no solo.  Em nota, a Sabesp informou em 01/11/2016 que “esteve no local para inspeção e os técnicos constataram que a tubulação da Sabesp está em perfeito estado”.

– A erosão, de 2016, foi ocasionada por chuvas torrenciais e acima de qualquer expectativa na região, tanto assim que a seguradora do estádio foi acionada e ressarciu parte dos danos.

– Também não é verdade que exista um córrego passando por baixo do prédio, sem canalização. Foi executada uma rede de drenagem especifica para esse fim e está em projeto As Built (como construído) que foi entregue ao Fundo Imobiliário ainda no ano de 2015.

 – Quanto aos pontuais descolamentos de placas de granito das paredes, estão sendo avaliadas as reais causas de modo a impedir novas ocorrências dessa natureza. A construtora instalou mais de 30 mil metros quadrados desse material em pisos e paredes do estádio, sem o registro de nenhum problema relacionado à má instalação.

– Houve sim, há mais de um ano, queda de parte do forro em área restrita da Arena, e a Construtora tomou todas as medidas necessárias para corrigir o fato e garantir o acesso dos torcedores ao local sem quaisquer riscos.

– Não procede a informação de queda de placas de Techlan das fachadas no gramado ou na arquibancada. 

 Todos os trabalhos realizados na Arena tem as respectivas ARTs (Anotações de Responsabilidade Técnica), que servem par atestar a responsabilidade do executor. O CREA fazia visitas quinzenais à obra, verificando inclusive as mais de 200 ARTs assinadas por engenheiros ou arquitetos

 Por fim, é preciso ainda esclarecer que a CNO garante a qualidade da construção, sendo responsabilidade do Clube a sua manutenção”, encerra o comunicado da empreiteira.

20140519205208486067uAntes de Odebrecht emitir essa nota, o Corinthians havia dito que a responsabilidade por eventuais danos no estádio era de total responsabilidade da empreiteira e cobraria providências.

Itaquerão, com apenas três anos de vida, continua no centro do debate dentro e fora do Corinthians. Seu custo de R$ 1,6 bilhão está longe de ser pago, na dívida com 12 anos de carência.

Resta saber se essa última polêmica do vazamento de 10,1 milhões de litros de água vai afugentar a torcida da arena. Seria um enorme prejuízo financeiro ao clube.

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