São Paulo se escora no erro da arbitragem ao cair na Libertadores

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Calleri se despediu do São Paulo após derrota na Colômbia

São Paulo tinha consciência da hercúlea tarefa a cumprir em Medellín diante do Atlético Nacional. Nem era o tamanho da vitória, após a derrota por 2 a 0 no Morumbi, e sim a diferença de forças. O adversário colombiano tinha mais bola, incontestável, e isso pesa no futebol. O que o time brasileiro não esperava era o desastre da arbitragem do chileno Patricio Polic, juiz que deixou de dar um pênalti no fim do primeiro tempo quando a partida vivia o empate por 1 a 1.

Da eliminação fica a sensação de que a instituição São Paulo não tem mais peso na Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Fosse outros tempos, e a expulsão de Maicon, no jogo de ida, e o pênalti não marcado nesta noite de quarta-feira em Medellín não seriam tão facilmente assinalados pelos árbitros.

Em reconstrução nas entranhas de sua administração, após o caos político na última temporada, aliada à fragilidade da CBF na Conmebol, o São Paulo perdeu força nas bastidores. No campo, a campanha, a melhor dos clubes brasileiros, também não foi uma maravilha.

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Diante do Atlético Nacional, com erro ou não do chileno, o Tricolor amarga queda nas semifinais da Copa Libertadores e vislumbra dias sombrios. Há perspectiva de um desmanche considerável com a saída de Paulo Henrique Ganso, Rodrigo Caio e Calleri.

Sem falar no prejuízo financeiro estimado em pouco mais de R$ 21 milhões, somando aí prêmio por chegar à final, pelo título e ainda a renda de um jogo em casa na decisão. Sem essa grana e com baixas importantes no elenco, a vida do São Paulo no Campeonato Brasileiro não vai ser em correnteza de águas límpidas.

ANÁLISE DO JOGO

São Paulo poderia ter fechado primeiro tempo a seu favor em Medellín. Saiu na frente com o gol de cabeça de Calleri,  aos 9, em cruzamento sem destino de Michel Bastos.

Cedeu o empate, no erro coletivo do sistema defensivo capitaneado por Lugano, a Borja. Se livrou de levar mais dois gols em duas pixotadas de Marlos Moreno cara a cara com Denis.

E poderia ter feito o segundo gol se o árbitro chileno tivesse marcado o pênalti de Bocanegra em Hudson, aos 46.

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Borja, carrasco do São Paulo nas semifinais

No resumo da ópera, terminou como começou: obrigado a vencer o Atlético Nacional por dois gols de diferença, em 45 minutos, mas sem a chance de levar a decisão aos pênaltis.

Este pênalti não marcado deu outro contorno ao jogo. Jogadores do São Paulo foram para o intervalo de cabeça quente. Corria a revolta nas veias. Tamanha irritação não permitiu ao time voltar mais disposto ao ataque em busca dos dois gols que precisava.

Do lado do Atlético Nacional, nenhuma mudança. Os colombianos voltaram do recreio com aquela intolerante tranquilidade na troca de passes aliada ao excesso de confiança no seu conceito de jogo. Não mudou uma vírgula de sua estratégia.

Tudo passava pelas descidas de Macnelly Torres em cima, nas costas, na vida de Mena. Por ali os estragos no sistema defensivo do São Paulo se avolumavam. Como se uma marreta batesse na parede até abrir um enorme buraco.

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Bauza ainda tentou uma última cartada com Alan Kardec no lugar do volante Hudson e depois com  o garoto Luiz Araújo na vaga de Centurión. Pensou na bola aérea com Kardec e Calleri enfiados na área e dribles atrevidos do menino.

Mexidas interessantes, desde que o adversário fosse outro e não o inabalável time colombiano. No ritmo cadenciado do incessante cântico da sua multidão nas arquibancadas, o Atlético não perdeu a coerência e minou a equipe brasileira, na bola e no feixe de nervos.

No momento mais difícil do segundo tempo ao São Paulo, por volta dos 30 minutos, nasceu o pênalti de Carlinhos em cruzamento de Torres. Borja converteu, aos 32. Após o gol, a revolta saltou do corpos dos jogadores do Tricolor. Pressão para cima do palermo árbitro chileno, que, acossado, expulsou Wesley e Lugano.

Acabava ali a história do São Paulo na Copa Libertadores 2016 e o sonho do tetra mais uma vez adiado.

Ficaram para trás os vídeos motivacionais, primeiro com o guerreiro Maicon, expulso no jogo de ida, depois aquele com a camisa tricolor pesada de suor a envergar o varal.

Vídeos a serem destruídos para o bem do clube. Esconder a realidade com fantasias não combina com o futebol. O São Paulo sabe muito bem como se livrar dessa patifaria.

FICHA DO JOGO

Atlético Nacional 2 x 1 São Paulo

Gols: Calleri, aos 8: Borja, aos 15 do primeiro tempo e aos 32 do segundo tempo

Atlético Nacional: Armani, Bocanegra (Aguilar), Sánchez, Enríquez e Díaz; Mejía, Pérez (Guerra), Macnelly Torres e Marlos Moreno; Borja e Berrío. Técnico: Reinaldo Rueda

São Paulo: Denis, Bruno, Diego Lugano, Rodrigo Caio e Mena (Carlinhos); Hudson (Alan Kardec),Thiago Mendes e Wesley; Centurión (Luiz Araújo), Calleri e Michel Bastos. Técnico: Edgardo Bauza

Juiz: Patricio Polic
Cartões amarelos: Hudson, Centurión, Meja, Thiago Mendes, Bocanegra, Lugano e Wesley
Cartões vermelhos: Wesley e Lugano
Local: Medellín

 

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