Maicon derrota São Paulo na Libertadores

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Um empurrão na cara de um colombiano acabou com o São Paulo no primeiro jogo das semifinais da Copa Libertadores. Maicon, zagueiro de R$ 22 milhões contratado para ser o xerife, virou vilão ao ser expulso no segundo tempo. Sem seu líder em campo, o time se desmoronou e saiu do Morumbi derrotado por 2 a 0 para o Atlético Nacional nesta quarta-feira (06/7). Um golpe difícil de ser assimilado e um resultado quase impossível de ser revertido na próxima semana em Medellín, Colômbia.

Maicon pode ter todos os álibis do mundo para se inocentar no lance da expulsão. Mas sua irresponsabilidade se compara a de um juvenil ainda sem conhecimento das malícias do futebol. Quis ser mandão quando poderia ter sido cortês. Se estrepou.

Ao São Paulo fica a lição de que, mesmo na Libertadores, é preciso investir em talentos e não apenas em força. O Atlético Nacional contratou Borja para as semifinais – o garoto provocou a expulsão de Maicon, fez os dois gols e mandou uma bola no travessão. O Tricolor apostou em Maicon, e isso diz tudo.

Indignados com a derrota, torcedores provocaram muitos tumultos fora do Morumbi. Polícia Militar disse que integrantes da facção organizada Independente assaltaram ambulantes, torcedores comuns e tentaram invadir o estádio. Inevitável o confronto com a Polícia Militar e feridos no saldo final da batalha.

ANÁLISE DO JOGO 

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São Paulo fez um primeiro tempo sem graça, desanimador ao torcedor. Apertou pouco a saída de bola dos colombianos. Não teve um pingo de clareza com a bola nos pés, até porque ela caiu muitas vezes com Thiago Mendes e dali não nasceu nada. Faltou alma a quem briga por vaga na final.

Tranquilo, sem ser acossado, o Atlético Nacional sofreu um pouco nos 15 minutos quando o dono da casa teve mais posse de bola. Depois se espalhou e, com cautela, se virou com troca de passes cadenciados. Não teve pressa, como se deixasse ao anfitrião a decisão de pisar no acelerador. Fez o seu jogo, sem agredir e ficou distante da área de Denis.

Cenário perfeito ao árbitro argentino Mauro Migliano, satisfeito com a generosidade entre os dois times e faltas singelas – sem necessidade de puxar o cartão do bolso. Sua lentidão era o retrato de como a partida se desenvolvia. Nem parecia semifinal de Libertadores.

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Pecado do São Paulo foi não jogar no pulso de sua torcida na imensidão do Morumbi. Esperançosos e de coração quente, são-paulinos não conseguiam entender a apatia do time. Para se ter uma ideia da falta de alma, Calleri, o mais inquieto dos jogadores do Tricolor, teve comportamento de frade e quase não pegou na bola.

Alguns ajustes deveriam ser feitos por Bauza no segundo tempo. O sangue deveria correr mais rápido nas veias. Thiago Mendes não poderia ser o principal articulador. Ytalo deveria  se oferecer mais ao jogo. Michel Bastos e Wesley também não poderiam ficar presos nas pontas. Era preciso mais dinâmica.

DESASTRE NO SEGUNDO TEMPO

Quem cresceu foi o Atlético. Com 15 minutos havia carimbado o travessão de Denis e dado sinais de que assumiria o controle do jogo. Guerra, meia de fino trato, entrou. Bauza respondeu com Alan Kardec no lugar de Ytalo. Naquele momento o São Paulo abusava dos cruzamentos. Natural que Kardec estivesse em campo.

Quando o São Paulo dava indícios de que poderia apertar um pouco, após bom chute de Michel Bastos defendido por Armani, Maicon deu um empurrão no rosto de Borja na hora de repor a bola em jogo. Irresponsável, foi expulso.

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O zagueiro com quem o Tricolor havia gasto uma fábula comprometia toda a estrutura armada pelo clube para chegar pelo menos à final da Libertadores. Deixou na mão seus companheiros e Bauza.

O treinador se viu obrigado a recuar Bastos para a lateral e posicionar Mena como zagueiro no espaço que seria de Maicon. Enfraqueceu o ataque, desestruturou o time. Bom para o Atlético Nacional, que assumiu completamente o controle do jogo.

Estava tão absoluto a ponto de fazer um gol em cima de uma troca  envolvente de pelo menos sete passes com a conclusão final de Borja, aos 36. E repetiu a dose com outro belo gol, dessa vez com Marlos Moreno servindo Borja. Vitória consolidada. E classificação à final muito bem encaminhada.

Ao São Paulo, se faltou alma neste primeiro jogo, é necessário ser vertebrado na partida de volta em Medellín. Nem sempre aposta em xerifes, gladiadores, é a melhor alternativa em busca de uma taça. No futebol também se ganha com talento. Faltou bola ao time de Bauza.

A camisa que enverga varal ficou leve como um lenço ao sabor da brisa no Morumbi.

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FICHA DO JOGO

São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional

Gols: Borja, aos 36 e aos 43 do segundo tempo

São Paulo (4-3-3): Denis, Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena; João Schmidt (Daniel), Thiago Mendes e Italo (Alan Kardec), Wesley (Hudson), Calleri e Michel Bastos. Técnico: Edgardo Baeza

Atlético Nacional (4-3-3): Armani, Bocanegra, Sánchez, Enríquez e Díaz; Mejía, Pérez Arias) e Torres; Marlos Moreno (Blanco), Ibargüen (Guerra) e Borja. Técnico: Reinaldo Rueda

Juiz: Mauro Vigliano (ARG)
Cartões amarelo: João Schimidt, Díaz e Borja
Cartão vermelho: Maicon
Renda: R$ 7.526.480,00.
Público: 61.766 pagantes
Local: Morumbi

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