Palmeiras se rende à força do Atlético-MG e sente falta de Gabriel Jesus

622_89dedc60-01ad-328c-8288-996fa63d991f

Palmeiras conheceu um rival de quilate na sua corrida em busca do título do Campeonato Brasileiro. Pragmático, o Atlético-MG soube se defender a dar uma única e mortal ferroada no até então imbatível time de Cuca em sua casa. Venceu por 1 a 0 neste domingo (24/7) no Allianz Parque e apresentou suas credenciais como candidato a campeão.

A derrota, a primeira como mandante, expõe uma carência no líder do Brasileirão: a falta de cabeças pensantes. Sem Gabriel Jesus, o Palmeiras sofreu sem um construtor, um jogador com capacidade de destruir a ilusão do adversário e a minar sua resistência.

Cleiton Xavier, de quem se espera muito e pouca resposta deu neste campeonato, não se apresentou como o arquiteto da criação. Ao ser substituído, a função ficou a cargo de Dudu. Nada feito.

Acéfalo na hora de buscar algo diferente diante de um adversário aplicado e com jogadores de alta quilometragem, o líder sucumbiu. Vai ter de se reinventar. Gabriel Jesus vai ficar fora por pelo menos mais cinco rodadas. Uma eternidade em um campeonato marcado por equilíbrio de forças.

622_847c1ecc-d8b6-320b-8d2b-25e2fed659df

ANÁLISE DO JOGO

Atlético jogou para se defender no primeiro tempo. Três volantes fechando tudo, laterais presos e zagueiros impecáveis no jogo aéreo. Estratégia de um time preocupado em inibir a avassaladora pressão do Palmeiras quando joga em casa. Um jeito também de tirar a velocidade do ataque, sempre arisco com Roger Guedes, Dudu e Erik.

Se o time mineiro se deu bem com essa postura, o líder do campeonato não se reinventou. Quando o adversário passa a tranca, é preciso ser criativo. Essa missão seria de Cleiton Xavier. Sem encontrar seu espaço e muito bem vigiado por um rodízio de volantes a marcar, o meia não apareceu nos 45 minutos.

Outro problema do Palmeiras, ao chegar próximo da área atleticana, foi apostar no jogo aéreo. Baixinhos, Dudu e Erik, tinham de escalar duas torres de nome Leonardo Silva, 1m93, e Erazo, 1m90. Impossível.

Cuca teria de usar o plano B no segundo tempo. Marcelo Oliveira, não. O treinador do Atlético não poderia abdicar da forte marcação com seus três volantes e deixar de insistir nos contra-ataques.

Contra o técnico do Palmeiras a ausência de Gabriel Jesus, servindo a Seleção Olímpica, craque com talento de sobra para fazer a diferença.

Sem o garoto e diante de um paredão alvinegro, o time paulista não encontrava uma solução. Ficou ainda mais complicado quando Leandro Donizete fez o gol, aos 14, em boa trama com Robinho e Fred e desatenção total do sistema defensivo alviverde.

Ao sofrer o gol, Cuca mexeu por atacado. Trocou Xavier por Barrios e puxou Dudu na armação. Em seguida, sacou Erik e lançou Alecsandro. O time perdia velocidade, ficava mais pesado e sem versatilidade.

Marcelo Oliveira respondeu com Luan e depois Lucas Pratto, sem perder consistência na marcação.

E não deu a mínima chance ao Palmeiras, que continua líder com dois gols de vantagem em cima do Corinthians. O problema nem foi a derrota em si, e sim um recado a Cuca de que é preciso criar alternativas quando o adversário obriga o time a diminuir a velocidade.

rib_2698

FICHA DO JOGO

Palmeiras 0 x 1 Atlético-MG

Gol: Leandro Donizete, aos 14 minutos do segundo tempo.

Palmeiras: Vagner, Jean, Edu Dracena, Vitor Hugo e Zé Roberto; Thiago Santos (Matheus Sales), Tchê Tchê e Cleiton Xavier (Lucas Barrios); Roger Guedes, Erik (Alecsandro) e Dudu. Técnico: Cuca

Atlético-MG: Víctor, Carlos César, Leonardo Silva, Erazo e Fábio Santos; Rafael Carioca, Leandro Donizete (Yago) , Maicosuel (Luan) e Lucas Cândido; Robinho e Fred (Lucas Pratto). Técnico: Marcelo Oliveira

Juiz: Wagner Magalhães
Cartões amarelos: Tchê Tchê, Carlos César, Rafael Carioca
Renda: R$ 2.935.305,48
Público: 39.400 pagantes
Local: Allianz Parque

Anúncios